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domingo, 30 de outubro de 2011

Internet e Democracia: Indivíduo, Tecnologia e Poder



Artigo produzido no primeiro semestre de atividades de 2011, que trata de questões como realidade, subjetividade, construção de inteligência coletiva, democracia e exercício da cidadania, à luz do filósofo francês Pierre Lévy, subjugadas à nova realidade que se constrói/estabelece através dos avanços tecnológicos de informação e comunicação. Segue o resumo e link para download do artigo.



Resumo 

As novas tecnologias da informação, em especial a internet, trazem consigo uma questão inerente ao poder e a constituição do indivíduo enquanto ser: em que nível o homem é atingido pela inteligência coletiva e até que ponto esta interferência lhe permite a atuação, enquanto cidadão, em uma esfera de participação democrática? O presente artigo visa tratar do tema tanto em um âmbito de relação entre o cidadão e o governo, quanto entre o homem e o poder, supostamente descentralizado, defendido por Pierre Lévy.  



Clique aqui para fazer o download do artigo completo em PDF.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Escolha do livro didático (PNLD 2012)

Considerações acerca da escolha do livro didático (PNLD 2012)


O Plano nacional do livro didático nos fornece pela primeira vez (PNLD 2012) o guia para filosofia. O grupo de bolsistas – na qual faço parte - que está atuando no colégio CTUR recebeu o encargo de auxiliar a coordenadora do PIBID-Filosofia no colégio, prof. Adriana, na escolha do livro. Além disso, foi sugerido que fizéssemos resenhas dos livros a serem avaliados. Mas antes de qualquer coisa é preciso que sejam feitas algumas considerações.
Precisamos abandonar alguns preconceitos acerca do ensino de filosofia. Pois qualquer livro didático a ser escolhido deve evitá-los.
[1] Devemos deixar de lado a ideia de que a filosofia é abstrata e difícil, e por isso é mais viável que, no ensino médio, sejam feitas discussões genéricas sobre seus temas. Ora, essa visão subestima os alunos, e deixa de fora um conteúdo que eles não podem deixar de ter conhecimento. Eu, como aluno de filosofia, talvez jamais faça uso do que aprendi sobre biologia na escola – o que acho difícil –, mas se essa matéria não me fosse oferecida estariam me privando de conhecer essa disciplina, de me profissionalizar nessa área e até mesmo gostar e ter o simples prazer de estudá-la.
[2] Outro ponto a ser criticado é de que a filosofia forma cidadãos. O papel de formar cidadãos deve ser atribuído a educação e não a filosofia. A filosofia tem antes o papel de estimulo a reflexão, e pelo menos em sala de aula, a base dessa reflexão deve ser as diversas visões de mundo dos principais autores. Discussões genéricas e referentes ao cotidiano são importantes, mas devem ficar em segundo plano. Todas as disciplinas tem o papel de formar cidadãos, e portanto esse papel para filosofia é apenas parcial.
[3] Devemos abandonar o preconceito de que a filosofia não pode ser considerada um conhecimento especifico, e que qualquer discussão e pensamento já é filosófico. Bom, esse terceiro, acredito ser uma marca deixada pelo segundo, e pela baixa incidência de professores formados na disciplina lecionando. Como vinha dizendo, o principal conteúdo a ser aplicado são as ideias dos principais autores. É claro que é importante ter um propósito, mas é preciso tomar cuidado para que isso não descambe para algo puramente ideológico.
O PNLD 2012 toma como critério de base a história da filosofia, critério esse que distorce a proposta da disciplina, além de possuir um formato que não é viável para se trabalhar no ensino médio. Situar o aluno historicamente é importante, mas deve ficar em segundo plano. O que é importante, e mais viável, é que haja uma discussão dentro dos principais temas da filosofia, e que os alunos fiquem cientes das posições dos principais autores dentro desses temas. Livros de história da filosofia são mais interessantes como um adicional para pesquisas, e devem ficar na biblioteca.
Para tornar claro o perfil de material que acho mais interessante, e servir de critério para avaliação do livro, desenvolvi algumas questões:
  • O livro trata de forma simples e compreensível os temas filosóficos deixando clara a complexidade dos mesmos?
  • Expõe não só as ideias dos principais autores, mas também os motivos para que defendam tais ideias?
  • Expõe trechos das obras desses autores, fazendo os devidos esclarecimentos?
  • O livro consegue transmitir a importância da disciplina?
  • O vocabulário utilizado é acessível aos alunos?
  • O autor procura ser didático, mas sem subestimar os alunos?
  • O autor procura sempre que possível e viável trabalhar de forma argumentativa?

Essas questões são muito importantes para o que venho defendendo, mas também vale ressaltar, que o professor deve antes se questionar sobre a forma com que ele vai utilizar esse material. O perfil do livro também dependerá de como o professor faz uso dele, se o professor auxilia pouco ou muito nessa leitura, se as leituras são feitas em casa ou em sala de aula e etc. A escolha de um bom livro é muito importante para a valorização do ensino de filosofia.

OBS. Todas as questões aqui levantadas fazem parte de um ponto de vista particular, e portanto estão sujeitas a crítica.


(Postado por Erick Costa)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Músicas

Iremos abordar músicas que tratam do tema política.

Música: Polícia
Artista: Titãs

“Dizem que ela existe para te ajudar, dizem que ela existe para proteger”.
Esse é apenas um dos versos da música que critica ferozmente a ação policial. Ao invés de ajudar e proteger, a corporação atua com repressão sobre a sociedade. A população reprimida fica dominada pelo medo e é isso que mantém as pessoas controladas e atadas. O medo da repressão faz com que os indivíduos continuem em inércia, auxiliando na manutenção do poder nas mãos da elite.


Música: Estado Violência
Artista: Titãs

A letra dessa canção revela a relação entre o sujeito e o Estado. Relata o sentimento de um indivíduo que acredita que o Estado é autoritário e violento. Além disso, este se mostra totalmente indiferente a sua vontade.


Música: Inútil
Artista: Ultraje a Rigor

Essa letra contém propositalmente erros de concordância, justamente para fortalecer o protesto do autor. Este afirma que “não sabemos escolher presidente” e não temos consciência sobre nossas ações. Também mostra que quando tentamos fazer algo relevante, esbarramos na dificuldade muitas vezes colocada pelo Estado: “a gente faz música e não consegue gravar, a gente escreve livro e não consegue publicar, a gente escreve peça e não consegue encenar ”.


Música: Até quando
Artista: Gabriel Pensador

Essa letra demonstra a nossa capacidade de continuarmos parados, mudos, diante dos problemas. Trata basicamente da alienação e repressão do Estado sobre o indivíduo. Reclamamos, esperando um milagre para nos tirar dessa situação: “não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta, levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve você pode e você deve, pode crer”. A única solução para acabar com isso é a população acordar e lutar pelos seus direitos.


Música: Até quando esperar
Artista: Plebe e Rude

Nessa música, que é um clássico dos anos 80, a banda explora um assunto bem recorrente quando tratamos das mazelas do país: a distribuição de renda. O objetivo seria nos alertar sobre o assunto. ”com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração”. E como nos outros casos, a letra também aborda o tema da submissão do sujeito pelo Estado e a falta de mobilização social: ”até quando esperar a plebe ajoelhar esperando a ajuda de Deus”.


(Postado por Camila Oliveira)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Assim Falava Zaratustra (HQ)


Quem conhece o trabalho de Alan Moore e David Lloyd (criadores da graphic novel "V For Vendetta") sabe que filosofia e histórias em quadrinhos podem ter uma boa relação. Por se tratar de uma ótima forma de atrair jovens leitores "Assim falava Zaratustra: dos céus aos quadrinhos" em HQ, um belo trabalho da ilustradora paulistana Thaís dos anjos, pode despertar a curiosidade sobre a obra original.

Segue abaixo um texto de Edson Aran (escritor, jornalista e cartunista) que ilustra, de acordo com suas perspectivas, maiores detalhes sobre a obra:








Nietzsche Por Thaís

Para fazer alguma coisa acontecer no Brasil, tem de ser pretencioso. Autores de quadrinhos, então, precisam de dose extra de pretensão. Aqui os quadrinhos ainda são vistos com descaso pela maior parte da intelectualidade. Bobagem, claro.

A literatura com imagens é um excelente instrumento para discutir idéias, como provam Alam Moore e Grant Morrison, para citar apenas dois dos maiores criadores da atualidade. Além disso, também podem servir como material didático e pesquisa.Não por acaso, Will Eisner, o criador do Spirit, dedicou a maior parte do seu tempo aos quadrinhos educacionais.

Com esta adaptação de "Assim falava Zaratustra", Thaís dos Anjos conseguiu as duas coisas: foi pretensiosa e, ao mesmo tempo, muito educativa. A pretensão já nasce do roteirista escolhido por ela, nada menos que o controverso filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), o niilista que combateu os "deuses escravos" e preconizou a aurora do super-homem (olha os quadrinhos ai de novo...). Os quarinhos da Thaís traduzem de maneira objetiva, prática, bela e didática o livro que é o pilar do pensamento de Nietzsche, "Assim falava Zaratustra". Uma empreitada difícil, já que a linguagem do filósofo flerta com a poesia e o simbolismo o tempo inteiro. Mas Thaís conseguiu. O pensamento nietzscheano vem completo e poético num álbum de estréia surpreendente. A moça vai longe, pode ter certeza disso.


A revista foi publicada pela Devir e está a venda na Livraria da Travessa, dentre outras.

(Postado por Miécimo Ribeiro)


terça-feira, 8 de março de 2011

O Virtual, o Real e as Novas formas de Transferência de Informação

      O filósofo francês Pierre Lévy, estudioso dos efeitos da tecnologia na sociedade contemporânea, esboça no seu livro “O que é virtual?” o impacto da tecnologia sobre as relações humanas, econômicas, sociais e, principalmente, sobre o que é real ou virtual.
     O que seria, então, o real e o virtual? Seriam questões completamente indefinidas e cercadas de diferenças ou somente formas paralelas de encarar a realidade?
     Vamos para a educação à distância (ADD) por exemplo. Pierre Lévy demonstra em seu artigo “Educação e Cybercultura” como se é tratada essa nova forma de ensino: dada não num espaço físico, mas no “cyberspace” e da forma que o interlocutor a achar mais viável.
     Na verdade não é diferenciar as maneiras de percepção do real/virtual, mas sim saber que há o concreto nos dois e que é feito do ciberespaço a realidade como conhecemos. 
 
     Voltando à questão da educação à distância é pertinente analisarmos as mudanças sociais que essa trouxe. Ainda no artigo “Educação e Cybercultura”, Pierre Lévy esboça as formas mais comuns das “AAD”: o trabalho com “a hipermídia, as redes interativas de comunicação e todas as tecnologias intelectuais da cybercultura”, isso quer dizer, as formas mais tradicionais de ensino dando lugar a novas práticas indiretas de educação.
     Notório é também a forma das mudanças que é exposto o mundo profissional, especialmente nessa área. Pierre Lévy fala sobre a mudança da forma tradicional de aulas, com o docente presente, tratando com o aluno de forma direta e esse dando lugar a um “animador de inteligência coletiva de seus grupos de alunos”, isto é, alguém que não compartilha a informação de forma direta, mas sim um sujeito mais dinâmico, uma subjetivação do próprio “cyberspace”.
     Temos aí, então, uma forma vulnerável de encararmos o que é real ou virtual. Seria (ou não) o sujeito dinâmico e não direto aquilo que é real, mesmo no “mundo virtual”?
     De acordo com o livro “O que é virtual?”, seria somente a “reconfiguração das civilizações”, ou seja, a virtualização que causa o impacto à partir de tecnologias de comunicação.
     Sobre a economia, pode-se notar a mudança das relações comerciais: são reais, mesmo tratadas de forma virtual, e completamente diferentes dos padrões de compra e venda.
     “A virtualização afeta o cognitivo das pessoas”. Lévy expõe a forma como nossas inteligências foram afetadas com a virtualização.
     O virtual não é somente aquilo que temos apresentado em um senso comum, mas sim as formas mais simples de comunicação, como a oralidade e o acréscimo da escrita. O alfabeto, a imprensa e, finalmente, a internet. Novas tecnologias que forneceram à sociedade mais dinamicidade.
     Depois de novas mídias e globalização, Lévy fala sobre a “Inteligência Coletiva” que gera tamanha transação de informações como nunca antes partilhada. A “World Wide Web” (ou “WWW”) vem para corroborar esse novo movimento de inteligência coletiva que se tornou constante e ordinário no nosso dia-a-dia.
     A internet se tornou ferramenta simples e funcional do nosso dia-a-dia. Não usamos o cyberspace, mas sim vivemos nele. Soa drástico, mas é preciso refletir: há quanto tempo não se usa o bom e velho caderno de notas para poder trabalhar ou estudar? Todos querem rapidez e força dinâmicas, como internet, celulares, e-books, educação à distância, compras e vendas em segundos, leilões virtuais, compra de passagens aéreas, check-in, ir ao banco online, microblogs (aonde você se expressa em, no máximo, 140 caracteres!) e, os tão conhecidos, sites de relacionamentos.
     Não é a questão de ser real ou virtual, Pierre Lévy demonstra em seu livro somente que os dois são questões convergentes, em que um oferece espaço ao outro, de forma mais que transitável. 

Por Paula de Azevedo Bruce, aluna de Filosofia da UFRRJ

A Vida Examinada - O que é Filosofia?


Este vídeo é bastante interessante como introdução a filosofia. O programa, que traz o mito da caverna como eixo de discussão, trata de conceitos clássicos da filosofia. A única critica, de um fator que perceberão ao ver o filme, é que em alguns trechos ao invés de passar uma imagem histórica - mais adequada a situação - tentam passar uma imagem de tolerância racial e cultural. Isso é apenas um detalhe, para o que proponho acho muito interessante. 


Tamanho: 250 MB
Duração: 28 minutos



 (Postado por Erick Costa) 

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Mente Vazia...


Já diz o ditado popular: mente vazia, oficina do diabo. Mas, o que realmente isso quer dizer?
O quadro do pintor espanhol Goya intitulado “O sono da razão produz monstros” reflete muito bem esse pensamento. Quando não utilizamos nossa capacidade intelectual, estamos a mercê de monstros. Estes aparecem em forma de preconceito, de tabus, de credos sem fundamento.
A mente vazia, que muitas vezes é uma vítima da alienação, está sujeita a eterna submissão e interferência desses monstros. Dessa forma, nunca teremos nossos próprios pensamentos, nossas próprias idéias, estes sempre estarão carregados desses preconceitos, tabus. Ou seja, seremos eternamente pessoas alienadas, sem opinião própria e altamente influenciáveis.
A única forma de nos libertar dessa prisão de monstros é possuir uma mente bem informada, ocupa-la com algo que realmente irá valer a pena, desse jeito teremos capacidade de argumentar, saberemos discernir as informações que são relevantes das irrelevantes.

Esta é a interpretação de Sergio Paulo Rouanet sobre o quadro de Goya:

“A coruja tirânica que quer impor sua vontade ao artista é a razão narcísica do hiper-racionalismo. Os morcegos são as larvas e os fantasmas do irracionalismo. Dois animais deficitários, truncados. O morcego tem uma audição aguda, mas é cego. A coruja enxerga de noite, mas não de dia. Falta um terceiro animal na zoologia de Goya, mais completo. Não, não falta. Ele está no canto direito, enorme, olhando fixamente o espectador. É um gato. O gato ouve tudo e tem uma visão diurna e noturna. Sabe dormir e sabe estar acordado. E sabe relacionar-se com o Outro, sem arrogância, ao contrário do seu primo selvagem, o tigre, e sem servilismo, ao contrário do seu inimigo domestico, o cão. É a perfeita alegoria da razão dialógica, da razão que despertou do seu sonho, é atenta a todos os sons e todas as imagens, tanto do mundo de vigília como do mundo onírico, e conversa democraticamente com todas as figuras do Outro, sem insolência e sem humildade”.

ROUANET, Sergio Paulo. A Deusa Razão. In: NOVAES, Adauto (Org.) A Crise da Razão. São Paulo: Companhia das Letras; Brasília, DF: Ministério da Cultura; Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Arte, 1996, pp. 298-299).



(Postado por Camila Oliveira)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Entrevista com Viviane Mosé

‘Para viver da filosofia, é necessário talento e paixão’, diz filósofa
Viviane Mosé cursou psicologia, mas se encontrou na filosofia.
Ela conta as possibilidades da carreira que exige muita leitura e dedicação.

Fonte: Site G1

Ela arriscou, trocou a carreira de psicanalista pela filosofia e hoje vive só de seus cursos, palestras, consultorias. Viviane Mosé, 43, diz que para viver da filosofia é necessário talento e paixão e dá dicas a quem pretende fazer o curso: “Se você não sabe se ama, teste primeiro. Se sentir que aquilo te fortalece, você vai ser um bom professor”.

No programa "Fantástico", da Rede Globo, Viviane apresentou a série “Ser ou não ser”, que levava a filosofia ao cotidiano. E hoje, a filósofa, poeta e psicóloga é chamada para as mais diferentes tarefas: desde palestras a atores da novela “Paraíso Tropical” até consultorias para executivos. Lei a entrevista.


G1 – Por que a senhora decidiu fazer filosofia?
Viviane Mosé -
Não fiz a graduação em filosofia. Fiz psicologia, e escolhi quando tinha 16 anos. Queria alguma coisa que fosse vinculada com o pensamento, que tivesse de ler mais do que qualquer outra coisa. Em Vitória, de onde vim, não tinha filosofia. E eu mal sabia o que eram os cursos. Fui meio na intuição. Mas, no primeiro dia de aula, tive a matéria de introdução à filosofia. Marcou: era aquilo que eu queria.

G1 – E fez toda a faculdade?
Viviane –
Fiz, mas fui monitora durante os cinco anos da disciplina de filosofia. Foi paixão imediata pelo pensamento, elaboração, pelo conceito. Daí, vim para o Rio e fiz mestrado e doutorado.

G1 – O que a senhora decidiu estudar na pós-graduação?
Viviane -
Já saí do curso de psicologia, com a intenção de estudar Nietzsche. No primeiro dia de aula na Federal do Espírito Santo (Ufes), estudei o existencialismo, que tem filósofos que trazem mais a questão da vida, da morte, da falta de sentido das coisas. E saí com essa idéia para o mestrado e o doutorado. Nunca imaginei que fosse dar aula de filosofia. Estudava pelo gosto. Virei psicanalista e já tinha meu sustento daí. 

G1 – Como foi que largou a psicanálise?
Viviane –
Para mim, só estudar filosofia já me deixava feliz. Aquilo me salvou das minhas angústias; foi maravilhoso. Quando comecei, fui dar aula de filosofia para atores. Já era poeta e tinha um reconhecimento. Fizemos o primeiro grupo de aulas e a gente fazia por prazer. Depois foi abrindo mais turmas.

G1 – Como foi fazer a série na TV? E depois, mudou muito sua vida?
Viviane -
O que eu mais pegava era uma coisa poética. Se a Dona Maria não entendia claramente o que estava sendo dito, ficava alguma coisa, ficava no afeto dela. Tentava atingir a inteligência racional e a emocional. Mas depois que fiz a série até diminuiu o número de alunos. Acho que muitos pensaram que eu cobrava caro [risos]. Hoje faço mais palestras, viajo.

G1 – Que tipo de palestra a senhora faz?
Viviane -
Em todas as áreas, comercial, novela. A última foi em “Paraíso Tropical”. Falei sobre o erotismo, Copacabana, sobre o que é o erotismo na vida da pessoa. Semana passada fiz para o encontro anual da área de esporte da TV Globo. Falei sobre o novo ser humano, sobre quem é nosso telespectador, sobre a importância do esporte no momento em que a gente vive.

G1 – Qual o perfil que deve ter quem vai cursar a graduação? Por que fazer filosofia?
Viviane –
Quando vim para o Rio, meu orientador me perguntou por que eu estava cursando. E eu respondi que era porque eu “precisava”. Filosofia não é um curso que se faz porque acha bonito. Para viver dela, a filosofia é como a pedagogia: é talento, é vontade. É uma carreira solitária, porque tem de ler muito. Exige um rigor muito grande de leitura. Se você não ama, como vai refletir, desdobrar? Você tem de observar a situação e ver o que ela carrega de sentido. É árido, é difícil. Não acho que exista uma dificuldade intelectual, mas difícil é ter disponibilidade afetiva para ficar muito tempo estudando. Meus amigos não entendiam que eu passava o fim de semana estudando. Mas se você não sabe se ama, teste primeiro. Se sentir que aquilo te fortalece, você vai ser um bom professor.

G1 – Não é muito difícil escolher filosofia aos 16, 17 anos de idade?
Viviane –
Até é possível, porque muitas pessoas muito cedo já percebem que esse é o caminho delas. Mas isso é mais exceção. Se a pessoa já teve aulas no segundo grau, até pode se encaminhar para o curso. É muito comum fazer outro curso e ir para filosofia.

G1 – Como é o mercado para quem cursa filosofia?
Viviane -
Hoje a filosofia está indo para ambientes diferentes, mas é necessário talento. Muitos podem contratar alguém que desenvolveu capacidade de analisar situações. Quando o mercado era mais determinado, não era assim. Mas no mercado financeiro, nas tecnologias e na relação com a moral, não se sabe mais o que é o dia de amanhã. Nessa instabilidade, quem pode questionar, pensar, avaliar situações de risco é o filósofo.

G1 – Onde estão esses empregos?
Viviane -
A maior parte é em empresas. Mas precisa ser alguém que não aprenda os textos e saiba apenas dar aula. Tem de ir além. Precisa ser alguém que possa ajudar executivos a desenvolver a reflexão e a crítica.




(Postado por Michel Franco)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


            Uma demasiada velocidade na transformação dos saberes permite constatar pela primeira vez na história da humanidade que uma grande parte de conhecimentos adquiridos durante sua carreira irá cair em desuso, será antiquado por conta dessa mutação constante do know-how. Pierre Lévy argumenta sobre uma nova natureza de trabalho que se resume na transição de saberes, produzir conhecimentos e que de outra forma podemos entender que trabalhar consiste em aprender cada vez mais. Dentre toda essa aplicação da cybercultra em nosso mundo contemporâneo observamos tecnologias intelectuais que amplificam a função cognitiva humana, como é demonstrado no artigo de Lévy: a memória (bancos de dados, hipertextos, fichários digitais) a imaginação (simulações), a percepção (sensores digitais, tele presença, realidades virtuais, os raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos).

         Dentre esses itens demonstrados, o que percebo também como mais enfático de todo esse desenvolvimento da cybercultura é uma mera analogia com nossas capacidades cognitivas, entretanto, mais amplificadas e aperfeiçoadas. Graças a essas tecnologias, a aproximação do conhecimento se torna muito mais acessível que outrora, tendo em vista que não é mais necessária uma dedução lógica, ou uma inferência para obter-se conhecimento. Uma verdadeira fábrica de saberes industrializados, com permissão da metáfora aludindo a uma produção de conhecimentos industriais de fácil acesso. O que também não deixam de ser conhecimento no sentido epistemológico. 

          Segundo as palavras de Lévy e com a minha observação podemos examinar uma modificação do saber que outrora poderia ser denominado como abstrato transcendental e agora está se tornando cada vez mais palpável, tangível a todos; podendo ser expresso por uma população. Através das páginas da WEB podem ser expressos, articulados os conhecimentos adquiridos via ciberespaço. Sendo assim suas páginas digitais análogas às páginas de papéis no sentido de divulgar o saber.
Com efeito, toda essa comunicação virtual estabelecida pelas vias da Web, a criação de redes sócias com cada vez mais entretenimento de uma maneira mais grosseira a viciar os “viajantes da rede” (expressão minha) está em minha opinião ao contrário da levantada por Pierre Lévy afastando uns dos outros, tornando-se essas imensas redes sociais um mundo no qual não parece existir vida além dele. Contudo, não podemos de maneira alguma sustentar um argumento visando somente um lado extremo da situação. A facilidade que obtemos na comunicação, no processo de divulgação de reuniões, na organização de colóquios é exuberante. Agora nos comunicamos com quem está do outro lado do mundo sem sair do nosso próprio quarto. Ou se quisermos podemos até acessar a internet em qualquer lugar do mundo através da ferramenta da internet 3G e obter todas as informações locais e exteriores com apenas alguns movimentos delicados dos dedos. De certa forma o que chamamos de “passar o tempo todo em frente ao computador” soa mais pejorativo do que “passar horas em frente ao livro numa leitura inebriante” visto que, o contato com o discurso direto de um livro, todo o universo que está contido naquelas folhas de papel nos transmite conhecimento e experiências mais imediatas e acredito ser mais reais.
Por conseguinte, os sistemas de educação estão sofrendo hoje em dia com as novas obrigações de acordo com a quantidade, a velocidade e a diversidade que se encontra a evolução do saber. Em questões quantitativas nunca foi tão grande a procura por formação. Para isso pensamos em diversas formas de divulgar o saber para os alunos, mas não pensamos também que toda essa forma de aprendizado virtual requer custos e custos altos e não são todos os países que possuem uma economia rentável para absorver esse novo modelo de educação. Sendo assim como ficariam os países pobres da África, alguns países da América do Sul? Enfim, esse não é o tópico de discussão, mas sim uma reflexão posterior às leituras.
Com toda diversidade e facilidade de se obter formação e conhecimento, devemos entre todos esses adquirir uma forma em que se encaixe nas escolas, de entreter os alunos como se estivessem em seus mundos virtuais quando estão “logados” em suas redes sócias. Por exemplo, as aulas multimídias, audiovisuais que fornecem todo um aparato para cobrir as necessidades que tem o “aluno”.  

 Por Thiago Barros, graduando em Filosofia pela UFRRJ. Projeto "PIBID", 2010.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

E pra você, o que é Filosofia?


De Noel Rosa, interpretada por Paulinho da Viola. "Filosofia"!

O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Dica de Filme - Crash - No Limite

Título original: (Crash)
Lançamento (EUA): 2004
Direção: Paul Haggis
Atores: Karina Arroyave, Dato Bakhtadze, Sandra Bullock, Don Cheadle
Tempo de Duração: 113 minutos
Gênero: Drama
Classificação: 14 anos
Sinopse: Jean Cabot (Sandra Bullock) é a rica e mimada esposa de um promotor, em uma cidade ao sul da Califórnia. Ela tem seu carro de luxo roubado por dois assaltantes negros. O roubo culmina num acidente que acaba por aproximar habitantes de diversas origens étnicas e classes sociais de Los Angeles: um veterano policial racista, um detetive negro e seu irmão traficante de drogas, um bem-sucedido diretor de cinema e sua esposa, e um imigrante iraniano e sua filha.

Comentários do Filme:
"Crash" é um filme sobre tensões raciais e sociais, apresenta personagens heterogêneos vivendo em "mundos" diferentes dentro dos limites de uma mesma cidade (Los Angeles) onde esses "mundos" diferentes entram em conflito. As personagens têm noções preconcebidas sobre as pessoas de uma etnia particular ou as pessoas de uma região geográfica e essas noções não são amigáveis o tempo todo. Essa é uma das possíveis mensagens que o filme pode nos passar. O julgamento próprio pode ser errático às vezes ou o forçamento das circunstâncias pode não ser amigável. É a representação de uma sociedade multicultural construída no racismo e na desigualdade, que limita a justiça social. Neste filme o preconceito e a estereotipagem são predominantes ao discutir direitos legais e direitos morais. A situação social influência de forma decisiva nas escolhas dos indivíduos. Este filme pode ser uma opinião muito pessoal e particular do diretor, sendo a visão de mundo dele, mas que pode nos levar a alguns questionamentos: Que é racismo? Por que existe? Quem o cria? Porque a raça é um dos maiores problemas dos relacionamentos entre povos? Este filme provoca um diálogo sobre a "raça" que de acordo com alguns críticos foi o anátema a Hollywood após 11 de Setembro.



Fonte: http://www.filosofia.com.br/vi_filme.php?id=22

(Postado por Débora Ferreti)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Dica de Filme - Obrigado Por Fumar



Título original: (Thank you for smoking)
Lançamento: 2006 (EUA)
Direção: Jason Reitman
Duração: 92 min
Gênero: Comédia
Sinopse: Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o principal porta-voz das grandes empresas de cigarros, ganhando a vida defendendo os direitos dos fumantes nos Estados Unidos. Desafiado pelos vigilantes da saúde e também por um senador oportunista, Ortolan K. Finistirre (William H. Macy), que deseja colocar rótulos de veneno nos maços de cigarros, Nick passa a manipular informações de forma a diminuir os riscos do cigarro em programas de TV. Além disto Nick conta com a ajuda de Jeff Megall (Rob Lowe), um poderoso agente de Hollywood, para fazer com que o cigarro seja promovido nos filmes. Sua fama faz com que Nick atraia a atenção dos principais chefes da indústria do tabaco e também de Heather Holloway (Katie Holmes), a repórter de um jornal de Washington que deseja investigá-lo. Nick repetidamente diz que trabalha apenas para pagar as contas, mas a atenção cada vez maior que seu filho Joey (Cameron Bright) dá ao seu trabalho começa a preocupá-lo.



Comentário sobre o filme:

Irônico e sarcástico do começo ao fim, o filme trata, acima de tudo, de retórica e persuasão. O cigarro e o lobista que age a favor da indústria do fumo são bons artifícios para fazer refletir sobre a cultura da manipulação de informação. Apesar de politicamente incorreto, ninguém fuma na tela.
[Rubens Ewald Filho]



Minhas considerações sobre o filme:

"Obrigado por fumar" é um filme bem claro e engraçado nas suas críticas. Usando a "caça" aos produtores de tabacos como plano de fundo, o filme é voltado para o personagem Nick Naylor, Lobista que representa a Academia de Estudos Sobre o Tabaco. Logo é ele que revela o avanço das pesquisa que na verdade são financiadas pelos próprios produtores de tabaco.


A manipulação de informação, e os apelos vindos dos grupos, pró e contra, ao tabaco podem ser utilizado facilmente em sala de aula, para iniciar uma discussão a cerca da informação que é difundida pela mídia e redes sociais. O que pode levar o participante a questionar suas fontes de informação e discutir, obviamente, outros assuntos extremamente defasados pela mídia, como por exemplo a regulamentação da venda de maconha, o aborto, e o uso de células tronco.
Tudo o mais que for dito sobre o filme acabará por tirar a beleza do enredo irônico. Portanto está aqui uma ótima dica de filme para se trabalhar em sala de aula, lembrando que a censura é 12 anos.

Cena do filme que mostra bem o que se esperar:



(Postado por Miécimo Ribeiro)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Mentira Em Debate


Após alguma reuniões em que todo o grupo debateu sobre qual seria a melhor forma de interagir com os alunos do 3º ano do Colégio Estadual Presidente Dutra, de forma a aproximar e apresentar o campo do pensamento filosófico, chegamos a um ponto que nos pareceu que poderia render bons frutos, o “Cine x Debate”. A idéia se mostrou eficaz em nossa primeira tentativa. A utilização de fontes alternativas como forma de preencher a lacuna entre o pensamento do professor e do aluno para que todos possam pensar juntos é fundamental, mas isso não exime do professor a sua capacidade de atuação no campo do pensamento e, sim, auxilia. De uma maneira geral, o grupo se manteve unido, cada um colaborando e preenchendo com significativa importância o pensamento do outro, abrindo sempre novas possibilidades e expandindo os horizontes de conhecimento.


Fica aqui o agradecimento aos meus colegas de grupo: Christofer, Demetryus e Miécimo Ribeiro, por compartilharem comigo essa primeira experiência e também à Professora e Coordenadora do projeto na escola Andreia e à Professora Rosangela, responsável pela turma, que nos proporcionaram essa chance, sem esquecer dos nossos amigos alunos do C.E. Presidente Dutra.

E foi numa conversa informal que chegamos ao filme “A invenção da Mentira”, que foi o escolhido para inaugurar nosso primeiro diálogo com os alunos. O filme se passa numa realidade onde não existe mentira, todas as pessoas falam somente a verdade, o que rende boas gargalhadas pelos seus diálogos carregados de uma graça ácida e muitas vezes cruel. O ponto-chave da trama é exatamente a invenção da mentira pelo protagonista, fato que muda toda sua vida transformando-o no homem mais poderoso do mundo, já que é o único capaz de ‘falar algo que não é’, como ele mesmo define. Após o filme, propusemos um questionário para que refletissem em casa, mais para situar os alunos em qual seria o centro de discussão, e na aula seguinte fizemos o debate. As perguntas foram as seguintes:

1. Como observado no filme, não há mentira no que as pessoas dizem. Embora por uma abordagem cômica, o filme reflete um mundo, de certa forma, triste e caótico. Na sua opinião, qual a importância da mentira e em que momentos ela torna-se algo positivo?


2. O filme demonstra de maneira sutil que, diretamente ao fato de não conseguir mentir, o indivíduo apresenta, também, como principal característica para não fazê-lo, a falta de criatividade, o que fica bastante claro, por exemplo, na forma como são feitos os filmes neste “mundo imaginário”.Você concorda com esta afirmação? É possível conseguir mentir sem ter inspiração criativa?

3. Aproveitando a questão 2, disserte sobre os principais pontos do filme em que você percebeu que algo poderia ter ocorrido de maneira diferente se houvesse o uso da criatividade por parte dos indivíduos.

4. Comente sobre a questão religiosa abordada no filme, que fica clara no momento em que Mark afirma conversar com “o cara que vive lá em cima”. Para você esta crítica está com maior tendência para o ataque religioso ou seria uma forma de ampliar os horizontes do espectador, sem desrespeitar suas crenças?


5. Por fim, descreva sua impressão sobre o filme apresentado, o que você pôde absorver dele, o que você gostou (ou não), enfim... Dê sua opinião, como se fosse uma crítica ou resenha sobre o filme, mas sinta-se livre para fazê-lo da forma que achar mais conveniente.

O debate se desenrolou por meio da discussão estética, ética e religiosa que o filme proporciona; A importância da criatividade no pensamento humano como forma de expansão foi o principal ponto discutido, sendo ela um fator fundamental tanto para a arte quanto para a ética das relações cotidianas. Falou-se também dos usos da mentira e do poder do discurso em seus vários âmbitos: político, religioso e interpessoal.

O filme, partindo da idéia de trabalhar um único conceito – a mentira – à primeira vista pode parecer simples, mas se demonstra genial ao longo da obra e, como se pôde perceber, rende discussões das mais diversas. Fica aqui então a dica para quem quiser, além de dar boas risadas e apreciar um romance, pensar!


A invenção da mentira - Trailer.


*O vídeo contém alguns erros na tradução e o título não está em sua tradução literal, pois o nome oficial utilizado no Brasil é "O Primeiro Mentiroso", porém o vídeo permite compreender a atmosfera na qual gira o filme.




(Postado por Vinícius Vieira)

Domínio Público

Certamente você já deve ter ouvido falar em Direitos Autorais, ou Copyright. Estes são termos legais que compreendem a proteção, através de registro, à obras de cunho intelectual, abrangendo toda produção artística, literária ou científica. Através dessa preservação de direitos o autor possui total detenção sobre o uso e distribuição de sua obra, sendo proibida a comercialização, utilização de trechos, adaptação ou inclusão em outras obras, desde que haja autorização prévia do autor, normalmente sob acordo que gere lucro comercial para o mesmo, com devida documentação de concessão para utilização das mesmas. É através desta lei que autores que sentem-se lesados pelo uso inapropriado de suas obras, desde que devidamente registradas em órgãos competentes, possam mover ações judiciais e garantir o ressarcimento pelo uso indevido de sua produção intelectual. Deve-se, também, à este conjunto de regras sobre direitos autorais (que, inclusive, possuem variações em cada país) as intermináveis discussões sobre pirataria, especialmente em tempos atuais, onde a internet é, indiscutivelmente, a maior detentora de conteúdos e obras intelectuais e possibilita a qualquer usuário, sem muito esforço, tanto obter, quanto repassar conteúdos ilegalmente, ou seja, sem atribuição comercial ao autor da obra, de forma gratuita.

O que poucos sabem é que existe, também, uma lei muito bacana que visa atenuar tais problemas citados anteriormente. Esta lei é a LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998que regulamenta, especificamente no Brasil, que obras caiam em Domínio Público. Através desta lei, os direitos autorais passam a ser de domínio público após setenta anos contados de 1° de janeiro do ano subsequente ao falecimento do autor. Além das obras em que o prazo de proteção aos direitos excedeu, pertencem ao domínio público também: as de autores falecidos que não tenham deixado sucessores e as de autor desconhecido. Existem diversas outras regrinhas que tornam uma obra domínio público (que variam de país para país, inclusive no que se refere aos anos que devem ser aguardados), assim como iniciativas de artistas ainda vivos para tornar obras mais acessíveis, ou até mesmo abdicarem totalmente de seus direitos, como por exemplo a iniciativa Creative Commons. Mas não entrarei muito em detalhes com relação a isso.

Na verdade tenho duas intenções com esse post: a primeira é a de esclarecer o que é, afinal de contas, esse tal Domínio Público e a segunda é dar uma dica muito bacana que tenho certeza que você que está lendo, se ainda não conhece, vai gostar bastante!

Mas então, que diferença tem uma obra protegida por Copyright da de Domínio Público?

Bom, a primeira resposta é óbvia: Você pode baixar diversos conteúdos sem peso na consciência de estar desacatando a lei, o que vai te livrar de possíveis processos judiciais e pagamentos de multa, o que é muito interessante, concorda? Mas e daí, acaba por aí (você deve estar perguntando)? A resposta é não! Obras em domínio público são muito bacanas porque permitem que diversos artistas utilizem as mesmas ou trecho delas, para suas próprias composições originais intelectuais. É possível utilizar músicas de domínio público em filmes, trechos para compor novas músicas, ou até mesmo regravá-las e fazer suas versões ou remixes. Também é possível utilizar trechos de livros, ou completos, e poemas para musicá-los, ou estampar em camisetas para vender. Também pode-se usar livros, ou peças para fazer adaptações teatrais, ou utilizar trechos de filmes para montar o videoclipe da sua banda... Enfim, diversas oportunidades criativas. E o melhor: sem gastar o mínimo tostão, sendo necessário, apenas, fazer referência a obra e autor utilizados, sem a preocupação de encrencar com a justiça!

E agora, vai a dica:

Visando a difusão de obras na condição de domínio público, diversos sites já estão disponibilizando obras para download, onde você fica despreocupado, tanto com o tráfego, quanto com o uso ou reinvenção/adaptação das mesmas. Mas dentre estes, um site que se destaca é o Portal Domínio Público (clique sobre o nome para acessar o site). Este portal é uma iniciativa do governo que possui em seu acervo nada menos do que 10 mil arquivos de texto e 4 mil arquivos de outras mídias, dentre elas imagem, som e vídeo, sendo que estas são estatísticas referentes ao início de 2006. Imagine só a quantidade de arquivos que eles possuem agora? Dentre os destaques do portal temos a obra completa de Machado de Assis, Shakespeare e A Divina Comédia completa, ambos em português, diversas composições musicais eruditas, brasileiras e estrangeiras, como Mozart, por exemplo, e por aí vai!

O portal é muito bacana e vale muito à pena dar uma conferida! Espero que tenha esclarecido algumas coisas para quem não conhecia e faço votos que se divirta descobrindo diversas obras de utilização e distribuição livre. Boa pesquisa!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dica de Filme - Dogville

Título original: (Dogville)
Lançamento: 2003 (França)
Direção: Lars Von Trier
Atores: Nicole Kidman, Harriet Andersson, Lauren Bacall, Jean-Marc Barr.
Duração: 177 min
Gênero: Drama








Aqui vai uma dica de filme que acredito ser um daqueles que todos deveriam assistir ao menos uma vez na vida. Devo confessar que dentre todos os filmes que pretendo sugerir, este não poderia deixar de ser o primeiro, pois é o meu preferido!

Existem vários motivos para que eu tivesse elegido o mesmo como predileto, mas dentre eles, existe um principal que posso citar: o engajamento social.

De um modo geral o filme trata da dinâmica entre as relações sociais e denúncias sobre os problemas que estas podem acarretar, tendo como personagem principal no desenvolvimento da trama a jovem Grace, interpretada por Nicole Kidman, que acaba por encontrar na vila um refúgio, após declarar ser fugitiva de perigosos gângsters. A partir daí, em um primeiro momento, os habitantes demonstram sua hospitalidade, mas, ao passar do tempo, percebendo que a jovem vai ficando, cada vez mais, encarcerada, em consideração à impossibilidade de sair da vila pelo receio de ser encontrada pelos homens dos quais é fugitiva, os moradores do vilarejo começam a explorar a moça (de todas as formas que possam lhe passar pela cabeça), deixando transparecer todo o lado sombrio e doentio contido nos seres humanos.

A genialidade se manifesta de várias maneiras, a começar pelo cenário, que se limita a um galpão com linhas desenhadas no chão (isso mesmo! nada de paredes, ou portas, apenas alguns objetos), delimitando os espaços entre as residências e as ruas, deixando transparecer uma forte influência teatral minimalista, onde volta-se total atenção para a atuação e os personagens, conferindo aos mesmos uma carga muito maior, já que o pouco (ou quase nenhum) cenário acaba por ficar em segundo plano. Desta maneira, o diretor consegue voltar a atenção do espectador para o que realmente importa, o comportamento, as relações sociais, a desumanidade humana.

Além disso, existem vários elementos que criticam, em especial, a moral estadunidense (embora possamos identificar tais elementos em qualquer ser humanos, de qualquer nacionalidade), elementos filosóficos, como questões de altruísmo (ou sua falta) e conflitos entre éticas pessoais e regras morais sociais, que se reforçam com o conjunto de exigências cada vez maiores dos habitantes e da permissividade de Grace, que acredita ser necessária a submissão em virtude de sua condição.


Fato é que, se desejasse enaltecer todos os pontos importantes do filme, além de fazer comparações e referências das mais diversas, esse post ficaria tão extenso que, talvez, seria até mesmo desnecessário assistir o filme. E só assistindo mesmo é possível compreender, em essência a densidade do filme e as milhares de discussões que o mesmo suscita. Experimente assistir com a companhia de 2 ou 3 amigos e você perceberá que mudar de assunto será muito difícil por um longo período de tempo (horas, talvez!).

Gostaria de terminar esta postagem, primeiramente fazendo um aviso: O filme é daqueles que secam a garganta, recheado de cenas amargas, dentre elas uma cena fortíssima de estupro. Não encontrei classificação para o filme, mas acredito que 16 anos seria uma boa idade mínima.

E, por fim, lembrar que estamos a todo tempo rodeados por pessoas expondo aquilo que elas têm de melhor, mas também de pior. Quantas vezes já nos sentimos injustiçados em nossa família, comunidade, trabalho, escola, faculdade, etc? Por isto gostaria de reproduzir um pequeno trecho sobre o filme citado na Wikipédia:

"Dogville é a antítese do bom selvagem de Rousseau. Sequer os bebês são sem pecado, apenas talvez o cão, que esse nada fez contrariando sua natureza animal e permanece o filme todo "preso" em sua corrente.
Nos Estados Unidos muitos espectadores sentiram-se ofendidos, acusando Lars von Trier de antiamericano. O fato de ele jamais ter visitado os Estados Unidos e de fotografias do período da depressão e de pessoas miseráveis estadunidenses serem usadas durante os créditos finais, ao som da música Young Americans de David Bowie, não depuseram a seu favor.
Mas Dogville poderia ser uma cidade em qualquer lugar, em qualquer época."

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