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domingo, 30 de outubro de 2011

Internet e Democracia: Indivíduo, Tecnologia e Poder



Artigo produzido no primeiro semestre de atividades de 2011, que trata de questões como realidade, subjetividade, construção de inteligência coletiva, democracia e exercício da cidadania, à luz do filósofo francês Pierre Lévy, subjugadas à nova realidade que se constrói/estabelece através dos avanços tecnológicos de informação e comunicação. Segue o resumo e link para download do artigo.



Resumo 

As novas tecnologias da informação, em especial a internet, trazem consigo uma questão inerente ao poder e a constituição do indivíduo enquanto ser: em que nível o homem é atingido pela inteligência coletiva e até que ponto esta interferência lhe permite a atuação, enquanto cidadão, em uma esfera de participação democrática? O presente artigo visa tratar do tema tanto em um âmbito de relação entre o cidadão e o governo, quanto entre o homem e o poder, supostamente descentralizado, defendido por Pierre Lévy.  



Clique aqui para fazer o download do artigo completo em PDF.

terça-feira, 8 de março de 2011

O Virtual, o Real e as Novas formas de Transferência de Informação

      O filósofo francês Pierre Lévy, estudioso dos efeitos da tecnologia na sociedade contemporânea, esboça no seu livro “O que é virtual?” o impacto da tecnologia sobre as relações humanas, econômicas, sociais e, principalmente, sobre o que é real ou virtual.
     O que seria, então, o real e o virtual? Seriam questões completamente indefinidas e cercadas de diferenças ou somente formas paralelas de encarar a realidade?
     Vamos para a educação à distância (ADD) por exemplo. Pierre Lévy demonstra em seu artigo “Educação e Cybercultura” como se é tratada essa nova forma de ensino: dada não num espaço físico, mas no “cyberspace” e da forma que o interlocutor a achar mais viável.
     Na verdade não é diferenciar as maneiras de percepção do real/virtual, mas sim saber que há o concreto nos dois e que é feito do ciberespaço a realidade como conhecemos. 
 
     Voltando à questão da educação à distância é pertinente analisarmos as mudanças sociais que essa trouxe. Ainda no artigo “Educação e Cybercultura”, Pierre Lévy esboça as formas mais comuns das “AAD”: o trabalho com “a hipermídia, as redes interativas de comunicação e todas as tecnologias intelectuais da cybercultura”, isso quer dizer, as formas mais tradicionais de ensino dando lugar a novas práticas indiretas de educação.
     Notório é também a forma das mudanças que é exposto o mundo profissional, especialmente nessa área. Pierre Lévy fala sobre a mudança da forma tradicional de aulas, com o docente presente, tratando com o aluno de forma direta e esse dando lugar a um “animador de inteligência coletiva de seus grupos de alunos”, isto é, alguém que não compartilha a informação de forma direta, mas sim um sujeito mais dinâmico, uma subjetivação do próprio “cyberspace”.
     Temos aí, então, uma forma vulnerável de encararmos o que é real ou virtual. Seria (ou não) o sujeito dinâmico e não direto aquilo que é real, mesmo no “mundo virtual”?
     De acordo com o livro “O que é virtual?”, seria somente a “reconfiguração das civilizações”, ou seja, a virtualização que causa o impacto à partir de tecnologias de comunicação.
     Sobre a economia, pode-se notar a mudança das relações comerciais: são reais, mesmo tratadas de forma virtual, e completamente diferentes dos padrões de compra e venda.
     “A virtualização afeta o cognitivo das pessoas”. Lévy expõe a forma como nossas inteligências foram afetadas com a virtualização.
     O virtual não é somente aquilo que temos apresentado em um senso comum, mas sim as formas mais simples de comunicação, como a oralidade e o acréscimo da escrita. O alfabeto, a imprensa e, finalmente, a internet. Novas tecnologias que forneceram à sociedade mais dinamicidade.
     Depois de novas mídias e globalização, Lévy fala sobre a “Inteligência Coletiva” que gera tamanha transação de informações como nunca antes partilhada. A “World Wide Web” (ou “WWW”) vem para corroborar esse novo movimento de inteligência coletiva que se tornou constante e ordinário no nosso dia-a-dia.
     A internet se tornou ferramenta simples e funcional do nosso dia-a-dia. Não usamos o cyberspace, mas sim vivemos nele. Soa drástico, mas é preciso refletir: há quanto tempo não se usa o bom e velho caderno de notas para poder trabalhar ou estudar? Todos querem rapidez e força dinâmicas, como internet, celulares, e-books, educação à distância, compras e vendas em segundos, leilões virtuais, compra de passagens aéreas, check-in, ir ao banco online, microblogs (aonde você se expressa em, no máximo, 140 caracteres!) e, os tão conhecidos, sites de relacionamentos.
     Não é a questão de ser real ou virtual, Pierre Lévy demonstra em seu livro somente que os dois são questões convergentes, em que um oferece espaço ao outro, de forma mais que transitável. 

Por Paula de Azevedo Bruce, aluna de Filosofia da UFRRJ

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


            Uma demasiada velocidade na transformação dos saberes permite constatar pela primeira vez na história da humanidade que uma grande parte de conhecimentos adquiridos durante sua carreira irá cair em desuso, será antiquado por conta dessa mutação constante do know-how. Pierre Lévy argumenta sobre uma nova natureza de trabalho que se resume na transição de saberes, produzir conhecimentos e que de outra forma podemos entender que trabalhar consiste em aprender cada vez mais. Dentre toda essa aplicação da cybercultra em nosso mundo contemporâneo observamos tecnologias intelectuais que amplificam a função cognitiva humana, como é demonstrado no artigo de Lévy: a memória (bancos de dados, hipertextos, fichários digitais) a imaginação (simulações), a percepção (sensores digitais, tele presença, realidades virtuais, os raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenômenos complexos).

         Dentre esses itens demonstrados, o que percebo também como mais enfático de todo esse desenvolvimento da cybercultura é uma mera analogia com nossas capacidades cognitivas, entretanto, mais amplificadas e aperfeiçoadas. Graças a essas tecnologias, a aproximação do conhecimento se torna muito mais acessível que outrora, tendo em vista que não é mais necessária uma dedução lógica, ou uma inferência para obter-se conhecimento. Uma verdadeira fábrica de saberes industrializados, com permissão da metáfora aludindo a uma produção de conhecimentos industriais de fácil acesso. O que também não deixam de ser conhecimento no sentido epistemológico. 

          Segundo as palavras de Lévy e com a minha observação podemos examinar uma modificação do saber que outrora poderia ser denominado como abstrato transcendental e agora está se tornando cada vez mais palpável, tangível a todos; podendo ser expresso por uma população. Através das páginas da WEB podem ser expressos, articulados os conhecimentos adquiridos via ciberespaço. Sendo assim suas páginas digitais análogas às páginas de papéis no sentido de divulgar o saber.
Com efeito, toda essa comunicação virtual estabelecida pelas vias da Web, a criação de redes sócias com cada vez mais entretenimento de uma maneira mais grosseira a viciar os “viajantes da rede” (expressão minha) está em minha opinião ao contrário da levantada por Pierre Lévy afastando uns dos outros, tornando-se essas imensas redes sociais um mundo no qual não parece existir vida além dele. Contudo, não podemos de maneira alguma sustentar um argumento visando somente um lado extremo da situação. A facilidade que obtemos na comunicação, no processo de divulgação de reuniões, na organização de colóquios é exuberante. Agora nos comunicamos com quem está do outro lado do mundo sem sair do nosso próprio quarto. Ou se quisermos podemos até acessar a internet em qualquer lugar do mundo através da ferramenta da internet 3G e obter todas as informações locais e exteriores com apenas alguns movimentos delicados dos dedos. De certa forma o que chamamos de “passar o tempo todo em frente ao computador” soa mais pejorativo do que “passar horas em frente ao livro numa leitura inebriante” visto que, o contato com o discurso direto de um livro, todo o universo que está contido naquelas folhas de papel nos transmite conhecimento e experiências mais imediatas e acredito ser mais reais.
Por conseguinte, os sistemas de educação estão sofrendo hoje em dia com as novas obrigações de acordo com a quantidade, a velocidade e a diversidade que se encontra a evolução do saber. Em questões quantitativas nunca foi tão grande a procura por formação. Para isso pensamos em diversas formas de divulgar o saber para os alunos, mas não pensamos também que toda essa forma de aprendizado virtual requer custos e custos altos e não são todos os países que possuem uma economia rentável para absorver esse novo modelo de educação. Sendo assim como ficariam os países pobres da África, alguns países da América do Sul? Enfim, esse não é o tópico de discussão, mas sim uma reflexão posterior às leituras.
Com toda diversidade e facilidade de se obter formação e conhecimento, devemos entre todos esses adquirir uma forma em que se encaixe nas escolas, de entreter os alunos como se estivessem em seus mundos virtuais quando estão “logados” em suas redes sócias. Por exemplo, as aulas multimídias, audiovisuais que fornecem todo um aparato para cobrir as necessidades que tem o “aluno”.  

 Por Thiago Barros, graduando em Filosofia pela UFRRJ. Projeto "PIBID", 2010.

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