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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Dica de Filme - Obrigado Por Fumar



Título original: (Thank you for smoking)
Lançamento: 2006 (EUA)
Direção: Jason Reitman
Duração: 92 min
Gênero: Comédia
Sinopse: Nick Naylor (Aaron Eckhart) é o principal porta-voz das grandes empresas de cigarros, ganhando a vida defendendo os direitos dos fumantes nos Estados Unidos. Desafiado pelos vigilantes da saúde e também por um senador oportunista, Ortolan K. Finistirre (William H. Macy), que deseja colocar rótulos de veneno nos maços de cigarros, Nick passa a manipular informações de forma a diminuir os riscos do cigarro em programas de TV. Além disto Nick conta com a ajuda de Jeff Megall (Rob Lowe), um poderoso agente de Hollywood, para fazer com que o cigarro seja promovido nos filmes. Sua fama faz com que Nick atraia a atenção dos principais chefes da indústria do tabaco e também de Heather Holloway (Katie Holmes), a repórter de um jornal de Washington que deseja investigá-lo. Nick repetidamente diz que trabalha apenas para pagar as contas, mas a atenção cada vez maior que seu filho Joey (Cameron Bright) dá ao seu trabalho começa a preocupá-lo.



Comentário sobre o filme:

Irônico e sarcástico do começo ao fim, o filme trata, acima de tudo, de retórica e persuasão. O cigarro e o lobista que age a favor da indústria do fumo são bons artifícios para fazer refletir sobre a cultura da manipulação de informação. Apesar de politicamente incorreto, ninguém fuma na tela.
[Rubens Ewald Filho]



Minhas considerações sobre o filme:

"Obrigado por fumar" é um filme bem claro e engraçado nas suas críticas. Usando a "caça" aos produtores de tabacos como plano de fundo, o filme é voltado para o personagem Nick Naylor, Lobista que representa a Academia de Estudos Sobre o Tabaco. Logo é ele que revela o avanço das pesquisa que na verdade são financiadas pelos próprios produtores de tabaco.


A manipulação de informação, e os apelos vindos dos grupos, pró e contra, ao tabaco podem ser utilizado facilmente em sala de aula, para iniciar uma discussão a cerca da informação que é difundida pela mídia e redes sociais. O que pode levar o participante a questionar suas fontes de informação e discutir, obviamente, outros assuntos extremamente defasados pela mídia, como por exemplo a regulamentação da venda de maconha, o aborto, e o uso de células tronco.
Tudo o mais que for dito sobre o filme acabará por tirar a beleza do enredo irônico. Portanto está aqui uma ótima dica de filme para se trabalhar em sala de aula, lembrando que a censura é 12 anos.

Cena do filme que mostra bem o que se esperar:



(Postado por Miécimo Ribeiro)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A Mentira Em Debate


Após alguma reuniões em que todo o grupo debateu sobre qual seria a melhor forma de interagir com os alunos do 3º ano do Colégio Estadual Presidente Dutra, de forma a aproximar e apresentar o campo do pensamento filosófico, chegamos a um ponto que nos pareceu que poderia render bons frutos, o “Cine x Debate”. A idéia se mostrou eficaz em nossa primeira tentativa. A utilização de fontes alternativas como forma de preencher a lacuna entre o pensamento do professor e do aluno para que todos possam pensar juntos é fundamental, mas isso não exime do professor a sua capacidade de atuação no campo do pensamento e, sim, auxilia. De uma maneira geral, o grupo se manteve unido, cada um colaborando e preenchendo com significativa importância o pensamento do outro, abrindo sempre novas possibilidades e expandindo os horizontes de conhecimento.


Fica aqui o agradecimento aos meus colegas de grupo: Christofer, Demetryus e Miécimo Ribeiro, por compartilharem comigo essa primeira experiência e também à Professora e Coordenadora do projeto na escola Andreia e à Professora Rosangela, responsável pela turma, que nos proporcionaram essa chance, sem esquecer dos nossos amigos alunos do C.E. Presidente Dutra.

E foi numa conversa informal que chegamos ao filme “A invenção da Mentira”, que foi o escolhido para inaugurar nosso primeiro diálogo com os alunos. O filme se passa numa realidade onde não existe mentira, todas as pessoas falam somente a verdade, o que rende boas gargalhadas pelos seus diálogos carregados de uma graça ácida e muitas vezes cruel. O ponto-chave da trama é exatamente a invenção da mentira pelo protagonista, fato que muda toda sua vida transformando-o no homem mais poderoso do mundo, já que é o único capaz de ‘falar algo que não é’, como ele mesmo define. Após o filme, propusemos um questionário para que refletissem em casa, mais para situar os alunos em qual seria o centro de discussão, e na aula seguinte fizemos o debate. As perguntas foram as seguintes:

1. Como observado no filme, não há mentira no que as pessoas dizem. Embora por uma abordagem cômica, o filme reflete um mundo, de certa forma, triste e caótico. Na sua opinião, qual a importância da mentira e em que momentos ela torna-se algo positivo?


2. O filme demonstra de maneira sutil que, diretamente ao fato de não conseguir mentir, o indivíduo apresenta, também, como principal característica para não fazê-lo, a falta de criatividade, o que fica bastante claro, por exemplo, na forma como são feitos os filmes neste “mundo imaginário”.Você concorda com esta afirmação? É possível conseguir mentir sem ter inspiração criativa?

3. Aproveitando a questão 2, disserte sobre os principais pontos do filme em que você percebeu que algo poderia ter ocorrido de maneira diferente se houvesse o uso da criatividade por parte dos indivíduos.

4. Comente sobre a questão religiosa abordada no filme, que fica clara no momento em que Mark afirma conversar com “o cara que vive lá em cima”. Para você esta crítica está com maior tendência para o ataque religioso ou seria uma forma de ampliar os horizontes do espectador, sem desrespeitar suas crenças?


5. Por fim, descreva sua impressão sobre o filme apresentado, o que você pôde absorver dele, o que você gostou (ou não), enfim... Dê sua opinião, como se fosse uma crítica ou resenha sobre o filme, mas sinta-se livre para fazê-lo da forma que achar mais conveniente.

O debate se desenrolou por meio da discussão estética, ética e religiosa que o filme proporciona; A importância da criatividade no pensamento humano como forma de expansão foi o principal ponto discutido, sendo ela um fator fundamental tanto para a arte quanto para a ética das relações cotidianas. Falou-se também dos usos da mentira e do poder do discurso em seus vários âmbitos: político, religioso e interpessoal.

O filme, partindo da idéia de trabalhar um único conceito – a mentira – à primeira vista pode parecer simples, mas se demonstra genial ao longo da obra e, como se pôde perceber, rende discussões das mais diversas. Fica aqui então a dica para quem quiser, além de dar boas risadas e apreciar um romance, pensar!


A invenção da mentira - Trailer.


*O vídeo contém alguns erros na tradução e o título não está em sua tradução literal, pois o nome oficial utilizado no Brasil é "O Primeiro Mentiroso", porém o vídeo permite compreender a atmosfera na qual gira o filme.




(Postado por Vinícius Vieira)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dica de Filme - Dogville

Título original: (Dogville)
Lançamento: 2003 (França)
Direção: Lars Von Trier
Atores: Nicole Kidman, Harriet Andersson, Lauren Bacall, Jean-Marc Barr.
Duração: 177 min
Gênero: Drama








Aqui vai uma dica de filme que acredito ser um daqueles que todos deveriam assistir ao menos uma vez na vida. Devo confessar que dentre todos os filmes que pretendo sugerir, este não poderia deixar de ser o primeiro, pois é o meu preferido!

Existem vários motivos para que eu tivesse elegido o mesmo como predileto, mas dentre eles, existe um principal que posso citar: o engajamento social.

De um modo geral o filme trata da dinâmica entre as relações sociais e denúncias sobre os problemas que estas podem acarretar, tendo como personagem principal no desenvolvimento da trama a jovem Grace, interpretada por Nicole Kidman, que acaba por encontrar na vila um refúgio, após declarar ser fugitiva de perigosos gângsters. A partir daí, em um primeiro momento, os habitantes demonstram sua hospitalidade, mas, ao passar do tempo, percebendo que a jovem vai ficando, cada vez mais, encarcerada, em consideração à impossibilidade de sair da vila pelo receio de ser encontrada pelos homens dos quais é fugitiva, os moradores do vilarejo começam a explorar a moça (de todas as formas que possam lhe passar pela cabeça), deixando transparecer todo o lado sombrio e doentio contido nos seres humanos.

A genialidade se manifesta de várias maneiras, a começar pelo cenário, que se limita a um galpão com linhas desenhadas no chão (isso mesmo! nada de paredes, ou portas, apenas alguns objetos), delimitando os espaços entre as residências e as ruas, deixando transparecer uma forte influência teatral minimalista, onde volta-se total atenção para a atuação e os personagens, conferindo aos mesmos uma carga muito maior, já que o pouco (ou quase nenhum) cenário acaba por ficar em segundo plano. Desta maneira, o diretor consegue voltar a atenção do espectador para o que realmente importa, o comportamento, as relações sociais, a desumanidade humana.

Além disso, existem vários elementos que criticam, em especial, a moral estadunidense (embora possamos identificar tais elementos em qualquer ser humanos, de qualquer nacionalidade), elementos filosóficos, como questões de altruísmo (ou sua falta) e conflitos entre éticas pessoais e regras morais sociais, que se reforçam com o conjunto de exigências cada vez maiores dos habitantes e da permissividade de Grace, que acredita ser necessária a submissão em virtude de sua condição.


Fato é que, se desejasse enaltecer todos os pontos importantes do filme, além de fazer comparações e referências das mais diversas, esse post ficaria tão extenso que, talvez, seria até mesmo desnecessário assistir o filme. E só assistindo mesmo é possível compreender, em essência a densidade do filme e as milhares de discussões que o mesmo suscita. Experimente assistir com a companhia de 2 ou 3 amigos e você perceberá que mudar de assunto será muito difícil por um longo período de tempo (horas, talvez!).

Gostaria de terminar esta postagem, primeiramente fazendo um aviso: O filme é daqueles que secam a garganta, recheado de cenas amargas, dentre elas uma cena fortíssima de estupro. Não encontrei classificação para o filme, mas acredito que 16 anos seria uma boa idade mínima.

E, por fim, lembrar que estamos a todo tempo rodeados por pessoas expondo aquilo que elas têm de melhor, mas também de pior. Quantas vezes já nos sentimos injustiçados em nossa família, comunidade, trabalho, escola, faculdade, etc? Por isto gostaria de reproduzir um pequeno trecho sobre o filme citado na Wikipédia:

"Dogville é a antítese do bom selvagem de Rousseau. Sequer os bebês são sem pecado, apenas talvez o cão, que esse nada fez contrariando sua natureza animal e permanece o filme todo "preso" em sua corrente.
Nos Estados Unidos muitos espectadores sentiram-se ofendidos, acusando Lars von Trier de antiamericano. O fato de ele jamais ter visitado os Estados Unidos e de fotografias do período da depressão e de pessoas miseráveis estadunidenses serem usadas durante os créditos finais, ao som da música Young Americans de David Bowie, não depuseram a seu favor.
Mas Dogville poderia ser uma cidade em qualquer lugar, em qualquer época."

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