domingo, 27 de fevereiro de 2011

Nos tempos atuais, o contato com a tecnologia tem sido observado cada vez mais cedo entre os indivíduos da sociedade. Onde antes haviam crianças brincando com carrinhos ou fazendo perguntas a pessoas mais velhas, temos crianças jogando videogames e fazendo pesquisas em computadores. A necessidade de contato físico faz-se cada vez menos utilizada em certos procedimentos, uma vez que alguns "cliques" podem, facilmente, evitar uma longa viagem ou uma simples caminhada até uma agência bancaria ou até mesmo a um cinema.

            Essa facilidade de acesso na qual desfrutamos hoje é responsável pelo que pode ser chamada de "evolução precoce" dos indivíduos. Ora, uma biblioteca com milhares de obras pode ser encontrada em qualquer casa que possua um computador e um usuário qualificado, usuário esse que tem se tornado cada vez mais jovem com o passar do tempo. A expressão "essa criança nasceu mexendo no computador", que é muito utilizada pelos pais, está cada vez mais próxima de se tornar uma realidade. A geração de jovens que temos hoje são, graças a esses meios de comunicação, naturalmente mais aptos a um crescimento intelectual, enquanto os mais velhos devem se atualizar frequentemente para acompanhar o ritmo gradativo da sociedade que se encontram.

            Esse tem sido o caminho trilhado por nós, caminho esse que não tem mais volta, já que, "voltar" é, literalmente, por em risco todo o avanço intelectual que atingimos. Mas, por que voltar é tão arriscado? Ora, se temos em mãos ferramentas que nos permitem reduzir o tempo de cumprir certas atividades com o mesmo resultado ou até melhor, por que deixaríamos de usá-las? Por exemplo, anos atrás as câmeras fotográficas só utilizavam rolos de filmes, esses nos quais deveriam ser revelados; porém o processo demorava um longo período. Ao contrario, hoje temos câmeras fotográficas digitais, e o período que demoravam para obtermos a imagem capturada foi drasticamente reduzido, e essas fotos ainda podem ser devidamente "alteradas" de acordo com o gosto do fotografo pra qualquer que seja sua finalidade. No ritmo gradativo de avanços tecnológicos e intelectuais no qual estamos, cada nova expansão, ou atualização, cria, consequentemente, uma ou mais direções para uma nova atualização, e essa cria outra e assim sucessivamente. E essa velocidade de atualizações que vivemos tem seu tempo reduzido a cada vez que ocorre. E hoje alimentamos essa velocidade que se tornou, para nós, uma dependência. Precisamos estar nos aprimorando a todo o momento para estar socialmente e intelectualmente acompanhando as mudanças de nosso meio.

            Vivemos então essa Cibercultura, descrita por Pierre Lévy. Um sistema colossal de redes onde transitam todas as informações acumuladas ao longo do tempo, como se todo conhecimento fosse apenas um. Um momento em que toda e qualquer informação pode ser acessada por qualquer um que esteja disposto a isso e informações que, ao passar pra um conhecimento coletivo, possibilitam avanços em diversas áreas como saúde e tecnologia. Ora, a cura pra alguma doença que assola alguma região já pode ter sido descoberta por outra pessoa em outro lugar, essa informação pode cruzar o planeta em alguns segundos e salvar a vida de varias pessoas, assim como novos métodos de plantio mais eficientes, criados por grandes empresas no ramo da agricultura, podem ser, igualmente, divulgados e, assim, aumentar a produção de alimentos de uma fazenda familiar ou vice-versa. Porém, até o individuo sem intenção de absorver, de fato, um conhecimento acaba por fazê-lo inconscientemente, mas como? Ora, um jovem que navega pela internet pode ter contato com diversos tipos de idiomas simultaneamente e absorve-los sem ao menos ter noção disso. Ele pode não saber a tradução de termos como "On-line" ou "Chat", mas ele sabe o que é. Como dito anteriormente, os jovens já tem uma predisposição intelectual natural de lidar com esses avanços.

            Na educação, a utilização de recursos tecnológicos tem se mostrado cada vez mais evidente, alunos tem a sua disposição equipamentos e documentos audiovisuais que auxiliam na sua formação, como programas que simulam desde efeitos de fenômenos climáticos a uma cirurgia cardíaca nos mais delicados detalhes sem por uma pessoa, de fato, em risco. Isso contribui com profissionais especializados de alto nível para o mercado de trabalho, profissionais esses que, talvez, futuramente possam ser responsáveis por algum outro avanço que beneficie nossa sociedade.

Por Mário Fellipe Marques Maia, graduando em Filosofia pela UFRRJ e componente do grupo PIBID.

Ciberespaço – um novo espaço de sociabilidade, gerador de novas formas de relações sociais.

Temos como conceito básico de ciberespaço, na compreensão do escritor de ficção cientifica o norte-americano Willian Gibson, como o termo que designa “todo o conjunto de rede de computadores nas quais circulam todo tipo de informação, é o espaço não físico constituído pelas redes digitais”. Este termo criado então por Gibson foi utilizado pela primeira vez em 1984 em seu Romance Neuromancer[1].
            Com Pierre Lévy, temos a definição de Ciberespaço (que também o chama de rede) como sendo “o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo”.
            Assistimos através de tais definições e da dimensão na qual atualmente o ciberespaço vem atingindo, uma necessária adequação da sociedade, visando uma melhor sintonia com as chamadas “redes” a fim de estarmos atualizados, investigando e simultaneamente disseminando informação. Onde houver troca de conhecimento, haverá certamente maior mobilidade de informações, aproximando pessoas, explicitando questionamentos e abrindo espaço para um debate público e horizontal.
            A partir destas considerações, varias formas de entendimento sobre o que pensamos ser estas novas tecnologias são externadas. Por vezes de forma errônea e catastrófica, entendendo o ciberespaço como um lugar “não-real”, onde os indivíduos se hiper-individualizam em suas cavernas contemporâneas; e o “real” (relação/dialogo presencial) já não parece competir igualmente com a relação “virtual” obtida através de personagens criados a cada instante, onde a troca simultânea de informações e até mesmo a sua própria despersonalização lhe parece mais satisfatória, dizemos então que esta nova forma de sociabilidade é maléfica. Talvez, por julgarmos os fatos sem nos dedicarmos a estudá-los e daí então discursarmos equivocadamente.
            Lembrando o romance de Gibson (Neuromancer) onde o mesmo relata a história do protagonista Case que em meio a uma série de venturas e desventuras relaciona-se com outros humanos e com máquinas através da rede de computadores que compõem o Ciberespaço, vivendo uma realidade virtual, mas não por isso menos “real”. Pensamos através deste exemplo dizendo que este espaço de interconexão é muito mais que um meio de comunicação; se apresenta atualmente com um caráter muito ampliado, proporcionando aos indivíduos um palco de diferentes representações e práticas societárias. Mas como definir então o que é real e virtual, se salientarmos que estas redes telemáticas proporcionam relações de sociabilidade?
            Para Pierre Lévy “o virtual não se opõe ao real, mas sim o complementa e o transforma”. Sendo assim o virtual não seria o oposto do real, mas sim uma esfera singular da realidade, em que formas diferenciadas de interações sociais acontecem, transformando e ampliando a interação entre os mesmos. A partir desta troca entre os membros destas comunidades virtuais, teríamos não uma relação de superficialidade e ilusão, visto que o virtual não pode ser confundido ao ilusório, ao fantasioso, como é no entendimento de alguns. Pois desterritorializar-se[2] é também permitir o intercambio de conhecimentos, e longe, aqui, de um entendimento de perda de identidade, devemos entender o ciberespaço como um espaço dinâmico, que encurta as distancias possibilitando desenvolvimento e transformações numa dimensão socioeducativa, por exemplo.
            Logo, poderíamos pensar apocalipticamente o ciberespaço?
            O tom a cerca deste discurso ainda se faz confuso e divide opiniões. Porém é necessário que entendamos o que é o Ciberespaço, e qual sua função seja ela política, econômica ou cultural. Pois a prostração frente a estas mídias, sem que também nos questionemos sobre sua função social pode levar-nos a uma aceitação do “todo” sem a compreensão devida. Sabendo que o ciberespaço é conceituado como um instrumento globalizante, logo precisaremos distinguir as mensagens e não nos tornarmos discípulos de tendências dominantes.
            Destarte, a importância de salientarmos as transformações perceptíveis que vão se manifestando no comportamento dos indivíduos, e que esta mudança indique não apenas um conhecimento trivial sobre a importância destas novas mídias, mas que a mudança sugira intervenção dos mesmos com a coisa. Pois como diz Lévy, “o ciberespaço representa um estágio avançado de auto-organização social, ainda que em desenvolvimento - a inteligência coletiva -. O Ciberespaço aparece como um espaço do saber, em que o conhecimento é o fator determinante e a produção contínua de subjetividade é a principal atividade econômica.”.
            Contudo, este novo referencial de espaço, marcado por um tipo de sociabilidade própria, gerador de novas formas de relações sociais esta aí para que pensemos e possamos rever os valores humanos e tão logo percebamos a amplitude de transformações, estas conseqüentes de produções humanas. Por fim, fica uma reflexão a se fazer: a ausência de valores éticos e morais podem ser um dos grandes problemas a se pensar, como leitor, usuário do ciberespaço e indivíduo inserido num novo tempo e num novo espaço social.









[1] Livro de ficção científica que introduziu novos conceitos para a época. Onde trata de uma realidade que se constitui através da produção de um conjunto de tecnologias, enraizadas na sociedade, e que acaba por modificar estruturas e princípios desta e dos indivíduos que nela estão inseridos.
[2] Termo aqui utilizado no sentido de fluxo e de hibridismo cultural. Sem estarmos descartando o fato de as novas tecnologias moveis fomentarem também processos de reterritorializações. Visto que neste texto não levamos em conta a historicidade da palavra e evolução do seu conceito e contexto.

Por Patrícia Boeira - graduanda em Filosofia pela UFRRJ, e componente do grupo PIBID

Vanilla Sky e a dúvida cética

Sugestão de filme para trabalhar a dúvida cética.  

Título Original: Vanilla Sky 
Tempo: 137 
Ano de Lançamento: 2002 
Elenco: PENELOPE CRUZ , TOM CRUISE & KURT RUSSELL e CAMERON DIAZ 
Direção: CAMERON CROWE 
Recomendação: 12 anos


Engano, estar enganado implica em não saber que se está sendo enganado. E com isso, como poderemos nos assegurar de nossa realidade? E se tudo isso, que entendemos por realidade, for uma grande ilusão. Frente a esse argumento, ou jamais o saberemos, ou um dia, quem sebe, descobrimos a verdade – sem garantia de certeza. A dúvida cética é, entre outras coisas, um tanto curiosa. E para os que estão dando seus primeiros passos na filosofia – já que não é exigido tanto rigor – pode fazer parte de uma discussão muito atraente.
O filme “Vanilla Sky” é Baseado no roteiro "Abra Los Ojos", que deu origem ao filme espanhol "Preso na Escuridão", o filme foi gravado com algumas alterações, alterações essas, que favorecem a proposta de indicação a esse filme, pois o torna mai simples e direcionado ao que nos interessa. “Vanilla Sky” é sem dúvida uma boa ferramenta para trabalhar esse tema, pois nos atira nesse jogo de pensamento. A trama não segue uma linha cronológica convencional, e para alguns pode ser um pouco confuso. Mas ainda assim é muito pertinente. Cabe ao professor assistir, e avaliar se vale a pena bolar uma atividade. Só peço que não subestimem seus alunos, pois por subestimá-los os privamos de muitas oportunidades.


Sinopse

Jovem, bonito e rico, o poderoso editor David Aames pode ter tudo que seu coração deseja. Mesmo assim, sua vida encantada parece incompleta. Uma noite, ele conhece a mulher de seus sonhos e acredita que achou a peça que faltava. Porém, um fatal encontro com uma amante ciumenta põe o mundo de David fora de controle, deixando sequelas que acompanham toda trama do filme.


(Postado por Erick Costa)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Mente Vazia...


Já diz o ditado popular: mente vazia, oficina do diabo. Mas, o que realmente isso quer dizer?
O quadro do pintor espanhol Goya intitulado “O sono da razão produz monstros” reflete muito bem esse pensamento. Quando não utilizamos nossa capacidade intelectual, estamos a mercê de monstros. Estes aparecem em forma de preconceito, de tabus, de credos sem fundamento.
A mente vazia, que muitas vezes é uma vítima da alienação, está sujeita a eterna submissão e interferência desses monstros. Dessa forma, nunca teremos nossos próprios pensamentos, nossas próprias idéias, estes sempre estarão carregados desses preconceitos, tabus. Ou seja, seremos eternamente pessoas alienadas, sem opinião própria e altamente influenciáveis.
A única forma de nos libertar dessa prisão de monstros é possuir uma mente bem informada, ocupa-la com algo que realmente irá valer a pena, desse jeito teremos capacidade de argumentar, saberemos discernir as informações que são relevantes das irrelevantes.

Esta é a interpretação de Sergio Paulo Rouanet sobre o quadro de Goya:

“A coruja tirânica que quer impor sua vontade ao artista é a razão narcísica do hiper-racionalismo. Os morcegos são as larvas e os fantasmas do irracionalismo. Dois animais deficitários, truncados. O morcego tem uma audição aguda, mas é cego. A coruja enxerga de noite, mas não de dia. Falta um terceiro animal na zoologia de Goya, mais completo. Não, não falta. Ele está no canto direito, enorme, olhando fixamente o espectador. É um gato. O gato ouve tudo e tem uma visão diurna e noturna. Sabe dormir e sabe estar acordado. E sabe relacionar-se com o Outro, sem arrogância, ao contrário do seu primo selvagem, o tigre, e sem servilismo, ao contrário do seu inimigo domestico, o cão. É a perfeita alegoria da razão dialógica, da razão que despertou do seu sonho, é atenta a todos os sons e todas as imagens, tanto do mundo de vigília como do mundo onírico, e conversa democraticamente com todas as figuras do Outro, sem insolência e sem humildade”.

ROUANET, Sergio Paulo. A Deusa Razão. In: NOVAES, Adauto (Org.) A Crise da Razão. São Paulo: Companhia das Letras; Brasília, DF: Ministério da Cultura; Rio de Janeiro: Fundação Nacional de Arte, 1996, pp. 298-299).



(Postado por Camila Oliveira)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Série: Breve Vida e Obra – Parte 2

Um novo vídeo dessa série do site café filosófico. Dessa vez com o filósofo Aristóteles.





(Postado por Camila Oliveira)

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Série: Breve vida e obra


O blog Café Filosófico disponibiliza  uma série de curtas em animação, da vida e obra de alguns filósofos. Para os alunos que gostam de filosofia e animação, e os professores que pretendem deixar suas aulas um pouco mais interativas está ai a dica.

Confira!


Café filosófico - série vida e obra



(Postado por Erick Costa)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Entrevista com Viviane Mosé

‘Para viver da filosofia, é necessário talento e paixão’, diz filósofa
Viviane Mosé cursou psicologia, mas se encontrou na filosofia.
Ela conta as possibilidades da carreira que exige muita leitura e dedicação.

Fonte: Site G1

Ela arriscou, trocou a carreira de psicanalista pela filosofia e hoje vive só de seus cursos, palestras, consultorias. Viviane Mosé, 43, diz que para viver da filosofia é necessário talento e paixão e dá dicas a quem pretende fazer o curso: “Se você não sabe se ama, teste primeiro. Se sentir que aquilo te fortalece, você vai ser um bom professor”.

No programa "Fantástico", da Rede Globo, Viviane apresentou a série “Ser ou não ser”, que levava a filosofia ao cotidiano. E hoje, a filósofa, poeta e psicóloga é chamada para as mais diferentes tarefas: desde palestras a atores da novela “Paraíso Tropical” até consultorias para executivos. Lei a entrevista.


G1 – Por que a senhora decidiu fazer filosofia?
Viviane Mosé -
Não fiz a graduação em filosofia. Fiz psicologia, e escolhi quando tinha 16 anos. Queria alguma coisa que fosse vinculada com o pensamento, que tivesse de ler mais do que qualquer outra coisa. Em Vitória, de onde vim, não tinha filosofia. E eu mal sabia o que eram os cursos. Fui meio na intuição. Mas, no primeiro dia de aula, tive a matéria de introdução à filosofia. Marcou: era aquilo que eu queria.

G1 – E fez toda a faculdade?
Viviane –
Fiz, mas fui monitora durante os cinco anos da disciplina de filosofia. Foi paixão imediata pelo pensamento, elaboração, pelo conceito. Daí, vim para o Rio e fiz mestrado e doutorado.

G1 – O que a senhora decidiu estudar na pós-graduação?
Viviane -
Já saí do curso de psicologia, com a intenção de estudar Nietzsche. No primeiro dia de aula na Federal do Espírito Santo (Ufes), estudei o existencialismo, que tem filósofos que trazem mais a questão da vida, da morte, da falta de sentido das coisas. E saí com essa idéia para o mestrado e o doutorado. Nunca imaginei que fosse dar aula de filosofia. Estudava pelo gosto. Virei psicanalista e já tinha meu sustento daí. 

G1 – Como foi que largou a psicanálise?
Viviane –
Para mim, só estudar filosofia já me deixava feliz. Aquilo me salvou das minhas angústias; foi maravilhoso. Quando comecei, fui dar aula de filosofia para atores. Já era poeta e tinha um reconhecimento. Fizemos o primeiro grupo de aulas e a gente fazia por prazer. Depois foi abrindo mais turmas.

G1 – Como foi fazer a série na TV? E depois, mudou muito sua vida?
Viviane -
O que eu mais pegava era uma coisa poética. Se a Dona Maria não entendia claramente o que estava sendo dito, ficava alguma coisa, ficava no afeto dela. Tentava atingir a inteligência racional e a emocional. Mas depois que fiz a série até diminuiu o número de alunos. Acho que muitos pensaram que eu cobrava caro [risos]. Hoje faço mais palestras, viajo.

G1 – Que tipo de palestra a senhora faz?
Viviane -
Em todas as áreas, comercial, novela. A última foi em “Paraíso Tropical”. Falei sobre o erotismo, Copacabana, sobre o que é o erotismo na vida da pessoa. Semana passada fiz para o encontro anual da área de esporte da TV Globo. Falei sobre o novo ser humano, sobre quem é nosso telespectador, sobre a importância do esporte no momento em que a gente vive.

G1 – Qual o perfil que deve ter quem vai cursar a graduação? Por que fazer filosofia?
Viviane –
Quando vim para o Rio, meu orientador me perguntou por que eu estava cursando. E eu respondi que era porque eu “precisava”. Filosofia não é um curso que se faz porque acha bonito. Para viver dela, a filosofia é como a pedagogia: é talento, é vontade. É uma carreira solitária, porque tem de ler muito. Exige um rigor muito grande de leitura. Se você não ama, como vai refletir, desdobrar? Você tem de observar a situação e ver o que ela carrega de sentido. É árido, é difícil. Não acho que exista uma dificuldade intelectual, mas difícil é ter disponibilidade afetiva para ficar muito tempo estudando. Meus amigos não entendiam que eu passava o fim de semana estudando. Mas se você não sabe se ama, teste primeiro. Se sentir que aquilo te fortalece, você vai ser um bom professor.

G1 – Não é muito difícil escolher filosofia aos 16, 17 anos de idade?
Viviane –
Até é possível, porque muitas pessoas muito cedo já percebem que esse é o caminho delas. Mas isso é mais exceção. Se a pessoa já teve aulas no segundo grau, até pode se encaminhar para o curso. É muito comum fazer outro curso e ir para filosofia.

G1 – Como é o mercado para quem cursa filosofia?
Viviane -
Hoje a filosofia está indo para ambientes diferentes, mas é necessário talento. Muitos podem contratar alguém que desenvolveu capacidade de analisar situações. Quando o mercado era mais determinado, não era assim. Mas no mercado financeiro, nas tecnologias e na relação com a moral, não se sabe mais o que é o dia de amanhã. Nessa instabilidade, quem pode questionar, pensar, avaliar situações de risco é o filósofo.

G1 – Onde estão esses empregos?
Viviane -
A maior parte é em empresas. Mas precisa ser alguém que não aprenda os textos e saiba apenas dar aula. Tem de ir além. Precisa ser alguém que possa ajudar executivos a desenvolver a reflexão e a crítica.




(Postado por Michel Franco)

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