quarta-feira, 15 de maio de 2013

A "Ética" de Espinosa - Por Iasmin Martins

Biografia

           Nesse trabalho falaremos sobre a “Ética” do filósofo Benedictus ou Baruch de Spinoza. Tal pensador nasceu em Amsterdã na Holanda em 24 de novembro de 1632 e morreu em 1677. Spinoza era de uma família tradicional judia portuguesa, seu pai era comerciante e bem sucedido. O filósofo gostava muito de estudar, primeiro estudou teologia, depois abandonou para estudar Física e também aprendeu Latim.
          Spinoza passava a maior parte do tempo sozinho e se comunicava por cartas com alguns amigos e pensadores, ele usava trajes simples. Ao estudar teologia, Benedictus começa a criticar alguns princípios religiosos e por conta dos seus escritos é excomungado pelos judeus em 1652. Antes ele já havia sido excomungado, mas os judeus ainda deram a ele uma chance de se redimir e pedir perdão pelos seus pensamentos, no entanto o filósofo recusou e foi excomungado pela terceira vez. Essa excomunhão se chamava Shammatha, e era uma excomunhão definitiva que o bania completamente das sinagogas e do judaísmo. Veremos a seguir um trecho do Anátema de excomunhão:

Com a sentença dos anjos e dos santos, com o consentimento do Deus bendito e com o consentimento de toda congregação, diante destes santos livros, nós expulsamos, amaldiçoamos, e esconjuramos Baruch de Spinoza, com os seiscentos e treze preceitos que estão escritos neles, com o anátema com que Josué excomungou Jericó, com a maldição com que Elias amaldiçoou os moços, e com todas as maldições que estão escritas na lei. Maldito seja ele de dia e maldito seja de noite, maldito em seu deitar, maldito seja em seu levantar, maldito seja em seu sair, e maldito ele em seu entrar.” (Anátema pronunciado contra Spinoza, em 27 de julho de 1656)

             Com a excomunhão ele foi proibido de se aproximar das pessoas a menos de 10 passos de distância e ninguém deveria se comunicar com ele, nem beber ou comer ou lavar-se na mesma água em que ele tomou banho. O que o tornou ainda mais solitário e também abandonado por sua família.
          Embora alguns intelectuais amigos de Spinoza o ajudassem financeiramente, Benedictus teve de aprender um ofício para se sustentar. Ele cortava e polia lentes ópticas e mais tarde passou a desenhar. Desse modo, ele podia se sustentar com um trabalho simples feito com as próprias mãos e terminar seus estudos. Não havendo mais nada que o prendesse em Amsterdã, ele partiu para casa de um conhecido na rota de Amsterdã a Auwerkerk. Mais ele se muda para Rynsburg, em seguida em Vooburg e depois em Haia.
           Spinoza sofria de tuberculose há muitos anos e tinha uma constituição muito frágil, e seu trabalho de polidor agravara suas péssimas condições respiratórias, devido ao pó do vidro das lentes que polia.  O pensador morre em Haia, em 21 de fevereiro de 1677, e foi enterrado dia 25 de fevereiro aos 44 anos de idade.
           As principais obras de Spinoza foram o Tratado teológico-político, Princípios da Filosofia de Descartes, Tratado da correção do intelecto, Reflexões metafísicas e a Ética, da qual falaremos agora.

Apresentação da Ética de Spinoza

        A Ética é uma obra póstuma, ou seja, foi publicada depois da morte de Spinoza, é escrita em Latim e é demonstrada segundo a ordem geométrica e dividida em cinco partes:
 I - Primeira parte - Deus
 II - Segunda parte - A Natureza e a Origem da Mente
 III - Terceira parte - A Origem e a Natureza dos Afetos
 IV - Quarta parte - A Servidão Humana ou A Força dos Afetos
 V - Quinta parte - A Potência do intelecto ou a Liberdade Humana
         A obra é dividida em definições, axiomas, proposições, demonstrações, escólios e corolários. Não podemos dizer que é um livro sobre a moral por se chamar Ética, alguns Spinozistas o encaram como uma forma de ver o mundo.
         Na parte I da Ética, os principais conceitos são: Deus sive natura, Substância, A ilusão do livre arbítrio e o preconceito finalista. Spinoza ficou conhecido por sua filosofia monista. Para tal autor Deus ou natureza eram nomes diferentes para a mesma coisa, e Deus era a substância primeira da qual todas as outras coisas existentes partem. A substância era sui generis, ou seja, aquilo que está na origem, ela não veio de alguma coisa, ela é causa em si mesma e só pode ser pensada por si mesma, e todas as outras coisas existentes são modos de expressão da substância, todos os outros seres têm uma coisa em comum, eles partiram de uma mesma substância. A Substância spinozista tem infinitos atributos. Os dois atributos que podemos conhecer são extensão e pensamento. A extensão seria o corpo ou matéria, e o pensamento seria o não-material, o conhecimento, a ideia, o processo. Uma cadeia rochosa, por exemplo, é formada por extensão e pensamento, os processos naturais que ela sofre são pensamento para Spinoza. Por isso o filósofo ficou conhecido por sua filosofia sem sujeito ou descentralizadora do sujeito. Para Spinoza o homem não era o centro de todas as coisas, mas assim como os outros modos da substância era formado também por extensão e pensamento, porém pensamento não era o mesmo concebido por Descartes (cogito), pensamento para Spinoza era todo o processo e fenômeno natural que ocorre no universo, independente de o homem conceber esses fenômenos. Tudo o que existe tem pensamento e está dado independente da existência do homem.
         Spinoza não faz a separação entre corpo e alma, como na filosofia dualista de Descartes, ele entende que o mundo mental e o físico coexistem numa mesma substância. Por isso sua filosofia ficou conhecida como panteísta ou monista. A única substância infinita é Deus e, apesar de denominar assim a substância, Spinoza não está falando do Deus judaico-cristão, pois não tem vontade ou finalidade, não é um ser que comanda todas as coisas lá do alto e que merece um culto ou uma prece.
         Para o holandês há certo determinismo na existência, todas as coisas acontecem por necessidade, por serem dadas do modo que devem ser e não de modo teleológico; até mesmo o comportamento humano é determinado, somos como marionetes e os eventos que ocorrem não dependem meramente da nossa escolha e da nossa vontade, pois as coisas se dão numa cadeia, numa rede de acontecimentos que não podemos controlar, e achar que podemos controlar e que somos livres para fazermos o que quisermos é o que Spinoza chama de ilusão do livre-arbítrio, além disso, achar que as coisas foram feitas para nós e que podemos usá-las como bem entendemos é o que ele chama de preconceito finalista. São esses os principais conceitos da Ética I que trataremos neste trabalho.

Trecho do texto de Spinoza
Apêndice da Ética I
Ética/Spinoza; tradução de Tomaz Tadeu, Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.

         “Ora, todos os preconceitos que aqui me proponho a expor dependem de um único, a saber, que os homens pressupõem, em geral, que todas as coisas naturais agem, tal como eles próprios, em função de um fim, chegando até mesmo a dar como assentado que o próprio Deus dirige todas as coisas tendo em vista algum fim preciso, pois dizem que Deus fez todas as coisas em função do homem, e fez o homem, por sua vez, para que este lhe prestasse culto. É esse preconceito, portanto, que, antes de mais nada, considerarei, procurando saber, em primeiro lugar, por que a maioria dos homens se conforma a esse preconceito e por que estão todos assim tão naturalmente propensos a abraçá-lo. Mostrarei, depois, sua falsidade e, finalmente, como dele se originaram os preconceitos sobre o bem e o mal, o mérito e o pecado, o louvor e a desaprovação, a ordenação e a confusão, a beleza e a feiura, e outros do mesmo gênero. Não é este, entretanto, o lugar para deduzi-los da natureza da mente humana. Será suficiente aqui que eu tome como fundamento aquilo que deve ser reconhecido por todos, a saber, que todos os homens nascem ignorantes das causas das coisas e que todos tendem a buscar o que lhes é útil, estando conscientes disso. Com efeito, disso se segue, em primeiro lugar, que, por estarem conscientes de suas volições e de deus apetites, os homens se creem livres, mas nem em sonho pensam nas causas que os dispõem a ter essas vontades e apetites, porque as ignoram. Segue-se, em segundo lugar, que os homens agem, em tudo, em função de um fim, quer dizer, em função da coisa útil que apetecem. É por isso que, quanto às coisas acabadas, eles buscam, sempre, saber apenas as causas finais, satisfazendo-se, por não terem qualquer outro motivo para duvidar, em saber delas por ouvir dizer. Se, entretanto, não puderem saber dessas causas por ouvirem de outrem, só lhes resta o recurso de se voltarem para si mesmo e refletirem sobre os fins que habitualmente os determinam a fazer coisas similares e, assim, necessariamente, acabam por julgar a inclinação alheia pela sua própria. Como, além disso, encontram, tanto em si mesmos, quanto fora de si, não poucos meios que lhes é útil, como, por exemplo, os olhos para ver, os dentes para mastigar, os vegetais e os animais para alimentar-se, o sol para iluminar, o mar para fornecer-lhes peixe, etc., eles são, assim, levados a considerar todas as coisas naturais como se fossem meios para sua própria utilidade. E, por saberem que simplesmente encontraram esses meios e que não foram eles que assim os dispuseram, encontraram razão para crer que deve existir alguém que dispôs esses meios para que eles os utilizassem.”



Interpretação do texto de Spinoza

            Esse preconceito, do qual todos os outros derivam, é o preconceito finalista, ou seja, é o preconceito que os homens têm ao achar que todas as coisas da natureza agem em função de um fim. Visto que os homens são ignorantes, ao tentar explicar as coisas, eles explicam da forma que é melhor para eles, ou seja, da forma que lhes convêm e tendem sempre a buscar o que lhes é útil.
            Segundo Spinoza (2005), ao encontrar tantas coisas na natureza, o homem pensa que pode usufruir delas, pois ele não entende que cada uma tem sua própria causa para existir, cada uma tem seu valor independente do homem; logo, o homem tende a ver as coisas como se tivessem sido feitas para o seu próprio uso. E os homens fazem isso com base no argumento de que existe um Deus gerador que criou todas as coisas da natureza em função deles. Assim, criaram inúmeras formas de cultuar os deuses para que esses continuassem, por assim dizer, a satisfazer os seus desejos.
            O preconceito finalista virou superstição e cada vez mais os homens tentaram explicar a finalidade das coisas baseados em suas teses sobre um Deus gerador, e logo acharam um meio preconceituoso de explicar as coisas desagradáveis que ocorrem na natureza, como terremotos e doenças. Eles disseram que esses eventos naturais aconteciam por causa da ira dos deuses diante das faltas cometidas pelos homens.  Ao invés dos homens perceberem que esses eventos ocorreriam de qualquer modo, pois estão previstos pela natureza e fazem parte dela, eles preferiram continuar ignorantes e explicaram tudo baseados na tese da vontade divina. Deleuze deixa bem clara a crítica que Spinosa faz ao preconceito finalista:

A crítica de Spinoza possui dois pontos culminantes: não há nada de possível na natureza, isto é, as essências de modo não existentes não são modelos ou possiblidades em um entendimento divino legislador: não há nada de contingente na Natureza, a saber, as existências não são produzidas pelo ato de uma vontade divina que, à maneira de um príncipe, poderia ter escolhido outro mundo e outras leis.” (Deleuze, 2002: 95)  

             Para Spinoza (2005:43), essas superstições de que existe um Deus legislador afastam os homens do conhecimento verdadeiro das coisas. Só razões como as da matemática, as quais não se ocupam dos fins das coisas, mas das essências e propriedades dos objetos, é que poderiam levar os homens ao conhecimento verdadeiro e afastá-los desses preconceitos, que fazem permanecerem ignorantes os homens.
             De acordo com esse preconceito finalista, o homem acredita que vive de forma livre, pois Deus fez todas as coisas para ele usufruir como bem entender. Só que o agir do homem é condicionado à finalidade, ou seja, o homem é movido cegamente pelas suas vontades, ele é movido como uma marionete e crê que age livremente. Ele faz isso porque ignora as forças que o impelem. Para Spinoza, Deus é natureza, substância única e causa de si, e os homens estão submetidos às leis da natureza e a vontade está submetida às leis da natureza assim como todos os outros fenômenos. Para tudo há uma causa e esta causa encontra-se na natureza, não em um Deus criador.
            Sendo assim, os homens não têm poder sobre suas escolhas, eles não são autores dos seus desejos, apenas seguem uma série de determinações causais sem conhecê-las totalmente. Com isso, Espinosa conclui que o livre-arbítrio não passa de uma ilusão, não passa de imaginação humana e o que a doutrina finalista faz é inverter a natureza, considerando como efeito o que é causa e vice-versa.
            Segundo Spinoza (2005), os homens tentaram explicar a natureza, mas eles apenas imaginaram como as coisas estavam dadas na natureza e, confundindo intelecto com imaginação, fizeram algumas divisões denominando as coisas de perfeitas ou imperfeitas, de acordo com o modo pelo qual eram afetados por elas. Assim, quando um cheiro desagradava ao olfato, era chamado de malcheiroso; se agradasse, era chamado de perfumado etc. Dessa forma, os homens estabeleceram os contrários por meio de exclusão: se fosse agradável, era perfumado e se não fosse, malcheiroso.
            Os homens só fizeram isso porque permaneceram na ignorância, achando que todas as coisas tinham sido feitas para eles e, se não os agradasse, só podiam ser imperfeitas. Como fica claro na filosofia de Spinoza, as leis da natureza só produziram coisas extraordinárias, e a perfeição das coisas só deve ser avaliada pela sua natureza e potência, ou seja, não são os homens que determinam a perfeição ou imperfeição das coisas que existem na natureza, até porque elas não foram criadas para eles.
           
                                    Questões e questionamentos sobre o texto

1-      Por que a substância Spinozista difere da substância cartesiana?
2-      O que podemos entender com o conceito “Deus sive natura
3-      Defina de maneira resumida e com as palavras do texto o que Spinoza chama de preconceito finalista.
4-      O conceito de substância é esclarecido em qual livro da Ética spinozista?
5-      Em quantas partes está dividida a Ética de Spinoza?
6-      Por quais motivos o filósofo foi excomungado pelos judeus?
7-      O Deus de Spinoza é o mesmo Deus judaico-cristão?
8-      O que podemos aprender com a filosofia Spinozista descentralizadora do sujeito?
9-       Por que dizemos que a Ética é demonstrada ao modo dos geômetras?

Proposta de atividade

        Como atividade, estamos propondo um jogo com as proposições da Ética I de Spinoza para que o aluno possa relacionar as proposições com as definições. Dois ou mais alunos disputariam o jogo.
     As proposições e as definições já estariam dadas em uma espécie de quadro ou tabuleiro e o aluno devera interliga-las. Ele deve fazer isso ligando a definição que ele acha que mais se parece com a proposição que foi dada. Venceria o jogo o aluno que mais acertasse a relação entre as proposições e definições spinozistas. Desse modo, os alunos iriam se divertir e interagir aprendendo conceitos de uma das principais obras filosóficas da modernidade e fariam a leitura da obra do modo geométrico como o autor propôs.
Exemplo: Proposição 1. Uma substância é, por natureza, primeira, relativamente às suas afecções= Definições 1 e 3.
 Definição 1- Por causa de si compreendo aquilo cuja essência envolve a existência, ou seja, aquilo cuja natureza não pode ser concebida senão como existente.
Definição 3- Por substância compreendo aquilo que existe em si mesmo e que por si mesmo é concebido, isto é, aquilo cujo conceito não exige o conceito de outra coisa do qual deva ser formado.

Sugestão de atividades

          Visitar o site francês Spider Spinoza e ir clicando nos conceitos da Ética para que se forme o emaranhado e a conexão entre esses conceitos, a fim de melhor entender a divisão geométrica da obra de Spinoza e os seus conceitos chaves.
           Visitar o site da revista Conatus, que foi feito para divulgar os trabalhos dos pesquisadores e estudiosos da obra de Benedictus de Spinoza.



  Referências Bibliográficas
SPINOZA, Benedictus de. Ética. Tradução de Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2009.
DELEUZE, Gilles. Espinosa Filosofia prática. Tradução de Daniel Lins e Fabien Pascal Lins. São Paulo: Escuta Editora, 2002.






Schopenhauer: Vontade e Representação - Por Isis Tomás da Silva

Vida e Obra

Schopenhauer, conhecido como o filosofo do pessimismo, nasceu em Dantzig, no dia 22 de fevereiro de 1788. Em 1793, com a anexação de Dantzig à Polônia, sua família mudou-se para Hamburgo, onde em 1805 seu pai veio a cometer suicídio.
Com a morte do patriarca da família, Schopenhauer e sua mãe mudaram-se para Weimar, porém o convívio entre os dois  era insustentável, piorando ainda mais quando Goethe, um escritor e amigo da família veio a dizer  a madame Schopenhauer que o filho se tornaria um homem muito famoso, acarretando uma briga mais séria onde sua mãe veio a empurra-lo escada abaixo, sendo que diante daquilo Schopenhauer cheio de amargor informou-a que a posteridade a conheceria somente através dele.
Schopenhauer deixou Weimar pouco depois e apesar de sua mãe ter vivido mais vinte e quatro anos, ele nunca mais a viu.
Enquanto isso, Schopenhauer passara pelo ginásio e pela universidade e aprendera mais do que o oferecido pelos currículos. Saiu de lá com uma infecção venérea que afetou seu caráter e sua filosofia. Tornou-se sombrio, cínico e desconfiado, era obcecado por temores e visões sinistras, mantinha os cachimbos trancados a cadeado, nunca entregou o pescoço à navalha de um barbeiro, dormia com pistolas carregadas ao lado da cama e não suportava barulho, ele escreve que a quantidade de ruído que alguém pode suportar sem se perturbar está na proporção inversa de sua capacidade mental e intelectual.
            Ele possuía um sentido quase que paranóico de grandeza não reconhecida, não alcançando a fama e o sucesso, voltou-se para dentro de si mesmo e roia sua própria alma.
Não tinha mãe, nem esposa, nem filhos, nem país. “Estava inteiramente sozinho, sem um único amigo.”
Já em 1813 ficou tão dominado pela influência do entusiasmo de Fichte por uma guerra de liberação contra Napoleão, mas ao invés  de partir para a guerra foi para o campo e escreveu uma tese de doutorado de Filosofia.
Após essa dissertação sobre A quádrupla razão do princípio de razão suficiente (1813),
Schopenhauer dedicou todo seu tempo e devotou todas suas forças ao livro que seria sua obra-prima — O Mundo Como Vontade e Representação. Enviou o manuscrito ao editor com os maiores elogios, ali, dizia ele, não estava uma simples reformulação de idéias velhas, mas sim uma altamente coerente estrutura de pensamento original, "claramente inteligível, vigorosa e não sem beleza"; um livro "que dali em diante seria a fonte e motivo para uma centena de outros livros”. Muitos anos depois Schopenhauer estava tão certo de ter dado solução aos problemas principais da Filosofia que pensou em mandar cinzelar em seu anel de sinete uma imagem da Esfinge atirando-se ao abismo como prometera fazer quando seus enigmas fossem solucionados. No entanto, o livro quase não atraiu atenção; o mundo estava pobre e exausto demais para ler o que se dizia sobre sua pobreza e exaustão. Dezesseis anos após sua publicação, Schopenhauer foi informado de que a maior parte da edição fora vendida como papel velho. Schopenhauer colocou-se tão completamente neste livro que suas obras posteriores não são senão comentários do mesmo; Em 1836 publicou um ensaio, Da Vontade na Natureza, que até certo ponto foi incorporado à edição aumentada de O Mundo Como Vontade e Representação que surgiu em 1844.
Em 1841 veio o trabalho Os Dois Problemas Básicos da Ética e em 1851 apareceram dois substanciais volumes Parerga et Paralipomena — literalmente "Acessórios e Remanescentes" .Por esse último, que é a sua obra de mais fácil leitura e que é repleta de sabedoria e espírito, Schopenhauer recebeu, como remuneração total, dez exemplares grátis.
Ele tinha a esperança de ter uma oportunidade de apresentar sua filosofia em uma das grandes universidades da Alemanha, essa oportunidade apareceu em 1822, quando foi convidado a ir para Berlim como docente (privat-docent).
Ele de propósito escolheu para suas conferências as horas exatas em que o então Hegel dava suas aulas. Schopenhauer confiava em que os estudantes encarariam a ele e a Hegel com os olhos da posteridade. Mas os estudantes não podiam se antecipar tanto e Schopenhauer viu-se falando diante de cadeiras vazias.
Em 1831 espalhou-se em Berlim uma epidemia de cólera com isso schopenhauer fugiu para  Frankfurt, onde passou o restante de seus setenta e dois anos.


Apresentação do Mundo como vontade e como representação:

O mundo como vontade e como representação encontra-se dividido em quatro livros.
No Livro I, Shopenhauer trabalha com as questões da teoria do conhecimento, para tal, apresenta um primeiro ponto de vista: a representação submetida ao princípio da razão suficiente (tempo, espaço, causalidade. No Livro II, o mundo, para ele, é tomado como vontade. Neste livro, investiga-se a objetivação da vontade por meio da construção de uma metafísica da natureza. No Livro III, o mundo é retomado como representação, mas agora sob um "segundo ponto de vista" independente do princípio de razão ( tempo, espaço, causalidade), trata-se da idéia platônica, do objeto da arte, por meio da construção de uma metafísica do belo.
no Livro IV, o mundo é retomado como vontade, também a partir de um "segundo ponto de vista" que abandona o "princípio de razão". Nesse livro, investiga-se a prática de vida por meio da construção de uma metafísica da ética.

Trecho do texto de Schopenhauer

O mundo é a minha representação – Esta proposição é uma verdade para todo o ser vivo e pensante, embora só no homem chegue a transformar-se em conhecimento abstrato e refletido. A partir do momento em que é capaz de levá-lo a este estado, pode dizer-se que nasceu nele o espírito filosófico. Possui então a inteira certeza de não conhecer nem um sol nem uma terra, mas apenas olhos que vêem este sol, mãos que tocam esta terra; em uma palavra, ele sabe que o mundo que o cerca existe apenas como representação, na sua relação com um ser que percebe, que é o próprio homem. Se existe uma verdade que se possa afirmar a priori é esta, pois ela exprime o modo de toda a experiência possível e imaginável, conceito muito mais  geral que os de tempo, espaço e causalidade que o implicam. Com efeito, cada um destes conceitos, nos quais reconhecemos formas diversas do principio da razão, apenas é aplicável a uma ordem determinada de representações; a distinção entre sujeito e objeto é, pelo contrário, o modo comum a todas, o único sob o qual se pode conceber uma representação qualquer, abstrata ou intuitiva, racional ou empírica. Nenhuma verdade é portanto mais certa, mais absoluta, mais evidente do que esta: tudo o que existe, existe para o pensamento, isto é, o universo inteiro apenas é objeto em relação a um sujeito, percepção apenas, em relação a um espírito que percebe. Em uma palavra, é pura representação. Esta lei aplica-se naturalmente a todo o presente, a todo o passado e a todo o futuro, àquilo que está longe, tal como aquilo que está perto de nós, visto que ela é verdadeira para o próprio tempo e o próprio espaço, graças aos quais as representações particulares se distinguem  uma das outras. Tudo que o mundo encerra ou pode encerrar está nessa dependência necessária perante o sujeito, e apenas existe para o sujeito. O mundo é portanto representação.”






Interpretação do texto de Schopenhauer

Tudo o que pensamos é uma representação do mundo, mas qual o significado íntimo de tais representações, qual a essência de tudo que vemos?
O mundo segundo Schopenhauer está dividido em duas esferas, tal qual uma é a representação e a outra a vontade, o mundo como representação está ligado ao mundo como vontade,  essa vontade seria um tipo de sentimento, uma essência do mundo existente em todos os seres, independentemente de serem eles possuidores ou não das faculdades cognitivas, esse mundo representativo é o mundo visível e submetido ao espaço,  ao tempo e a causalidade é um outro ponto de vista para o mundo como vontade, contudo,  são dois pontos de vista, duas perspectivas distintas de acesso ao mesmo mundo, absolutamente imanente. Já a representação, neste caso, se daria através da forma como um sujeito percebe o mundo, ela seria a expressão racional da vontade, de modo que a existência desse mundo seria inadmissível sem que houvesse esse sujeito que o percebesse, assim sendo, tudo o que existe, existe apenas para o sujeito, nosso próprio corpo enquanto percebido por outros sujeitos, passa a ser objeto, e dele se abstrai uma representação. Essa estrutura da representação é universal - visto que as condições que nos permitem representar estão presentes no cérebro. O que pode ser individual são os conteúdos intuitivos, bem como nossa reação volitiva as tais representações, pois nosso caráter é individual e único.
   Segundo Schopenhauer, em vez de a razão puramente definir o homem e "apresentar todas as respostas do mundo", são o corpo e a vontade que permitem alcançar e dizer o sentido das coisas, isso se daria porque, para ele, a obtenção do conhecimento iria além da razão, principalmente por ter valorizado um componente novo nas discussões filosóficas: a noção de corpo, ou seja, o sentido das coisas se daria por meio das possibilidades volitivas de cada agente. Com isso ele acredita que a base da formação do nosso conhecimento racional não é racional, já que começa com as sensações corporais. Assim, em vez da racionalidade, agir de forma independente e única, ela torna dependente dos dados corporais.
Portanto, há dois pontos de vista para observar o mundo, sendo as duas perspectivas do sujeito, uma seria representativa e intelectiva, e a outra a partir da vontade.  
Por fim, cada ser humano tem sentimento próprio, não existe sentimento ou saber abstrato que sirva de base para todos os outros sentimentos. Porem existe dois tipos de representação as abstratas e as intuitivas, as abstratas são relacionadas à razão, são concepções, é o que é extraído da experiência do concreto para ser transformado em conceito. Já as representações intuitivas são aquelas que ocorrem no entendimento, as intelecções, ou seja, antes de demonstrar a essência de algo é necessário sentir, logo, há prioridade do intuitivo sobre o abstrato. O papel da representação nessa relação é que ela transporta a vida para o conceito, por ela é que as representações passam de intuitivas para abstratas.






1. Segundo a concepção de representação para Schopenhauer, seria possível duas pessoas distintas enxergar o mundo de uma mesma maneira? Por que?

2.
Qual a relação entre sentir e pensar para Schopenhauer?

3. Por que  a obtenção do conhecimento iria além da razão?



Proposta de atividade

A atividade que será proposta a seguir tem como objetivo expor diferentes percepções a partir de um mesmo objeto como verificado no conceito de representações em Schopenhauer.

  1. Observar a imagem apresentada;
  2. Destacar e justificar o que mais lhe chamou a atenção;
Debater com a turma, de acordo com o que foi lido, como se deu o processo de  percepção.


Dica de filme


 A vida é bela (La vita é bella de Roberto Benigni, 1998)

Nesta obra pode ser analisadas as idéias de otimismo, ilusão e representação para o querer-viver perpassadas pelo filme à luz da idéia de Schopenhauer sobre a Vontade como a verdadeira essência do mundo.


Bibliografia:
SCHOPENHAUER, Arthur. As dores do mundo.

Chevitarese, L, Capítulo 1: O "pensamento único" da Metafísica da
Vontade: as questões da ética e da liberdade.

SCHOPENHAUER, Arthur. O Mundo Como Vontade e Representação. Rio de Janeiro: Contraponto, 2001


terça-feira, 26 de março de 2013

Mural interativo

O mural interativo "O que é Filosofia" animou os alunos do C.E Dr Albert Sabin. Neste dia, além do mural, os alunos foram entrevistados pelos bolsistas do PIBID. Confira as entrevistas na sessão de videos do menu do blog.
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terça-feira, 10 de abril de 2012

A Questão da Justiça no Livro I da República de Platão

Proposta de material didático:

PIBID de Filosofia - UFRRJ – Eixo Política

Bolsista: Renato Braga Campello

Este texto foi desenvolvido com a finalidade de ilustrar, ainda que sem minúcia, a principal questão presente no livro I da República de Platão: a questão da Justiça e suas conseqüências para Pólis. Assim, o presente texto deve servir como instrumento de trabalho para o PIBID de Filosofia da UFRRJ voltado para o eixo de estudos em Política.

A Questão da Justiça no Livro I da República de Platão

O Livro I da República gira em torno da seguinte questão: “O que é a justiça?”. Para responder a esta pergunta, os interlocutores de Platão, em sua maioria, recorrem aos ensinamentos dos poetas, que se referem à prática de justiça, à aparência de justiça e a aplicam aos seus comportamentos na sociedade, o que preocupa Platão. Pois este defende que devemos nos basear no Ser da Justiça, buscando uma definição que possa ser partilhada por todos os homens.

Todos os argumentos platônicos tinham como interesse o convívio na Pólis, defendendo a ideia de que a Justiça deva ser o princípio das relações políticas dos indivíduos, tratando a mesma como um bem coletivo, e não individual.

No diálogo estabelecido por Sócrates e Trasímaco, percebemos a reflexão sobre o conceito de Justiça. Platão usa seus artifícios dialéticos através da refutação de Sócrates frente aos argumentos dos outros interlocutores, derrubando suas convicções até provar que se tratam de opiniões individuais, sendo meras aparências e não possuem universalidade, muitas vezes usando seu método filosófico caracterizado pela substantivação.

Frente a estes métodos usados por Sócrates nos diálogos estabelecidos entre ele e os demais interlocutores, Trasímaco revolta-se, intervindo na conversa de maneira áspera, pois não admite que Sócrates limite-se em indagar os demais e considera teimosia a maneira que Sócrates refuta as respostas dadas a ele, exigindo que se expresse com clareza e precisão, e defina ele mesmo o que é a Justiça.

Porém, mesmo que insistisse para que Sócrates desse a sua resposta, Trasímaco deixava transparecer seu desejo de se distinguir dos demais, julgando ter uma resposta melhor que as outras. Logo, o próprio Trasímaco se propõe a definir a Justiça, esperando ser aplaudido por Sócrates, afirmando que a justiça é o interesse do mais forte, usando o governo, pois este é considerado o setor mais forte em cada cidade, afirmando que estes fazem as leis para seu próprio benefício, como vemos a baixo:

E cada governo faz as leis para seu próprio proveito: a democracia, leis democráticas; a tirania, leis tirânicas; e as outras a mesma coisa; estabelecidas estas leis, declaram justo, para os governados, o seu próprio interesse, e castiga quem os transgride como violador da lei, culpando-o de injustiça” (338a - e).

Assim, Trasímaco afirma ser justo o que é vantajoso para o governo constituído em cada cidade, e sendo ele, o governo, mais forte em cada cidade, estabelece-se como justo o interesse do mais forte, segundo sua conveniência. Porém, refuta-o Sócrates:

“Uma vez que tu e eu concordamos em que a justiça é algo de conveniente, e que tu acrescentas a esta definição que essa conveniência é a do mais forte, e eu ignoro se é assim, temos de examinar a questão” (339a – e).

Como podemos perceber invés de Sócrates aceitar, ou mesmo abandonar de uma vez o argumento de Trasímaco, ele propõe uma melhor análise das palavras de seu interlocutor até que as contrapõe. E assim o diálogo é marcado pela humildade de Sócrates que, com a persuasão da palavra, refuta Trasímaco, que com sua posição hostil, procurava impor suas opiniões.

Bibliografia:

PLATÃO, A República. 2ª edição. São Paulo: Martin Claret, 2000.

Notas de esclarecimento:

*O uso dos diálogos na obras de Platão tem a função de resgatar as discussões que eram criadas nas praças, casas e demais lugares da cidade. Os embates criados pelos gregos através dos diálogos eram prezados tanto por Sócrates quanto para Platão, pois através destes diálogos acreditava-se que se alcançaria um conhecimento comum que pudesse ser partilhado por todos.

** “Só sei que nada sei”. Sócrates propõe com essa frase não trazer o conhecimento e nem mesmo criá-lo. Mas sim encontrar caminhos no que já existe, esclarecendo problemas e trazendo outros, para assim chegar a um denominador comum.

***Sofística: Na medida em que se dão conta da ‘mágica’ do discurso, cria-se uma especialização dessa arte dando maior capacidade de persuasão aos que possuem o ‘dom’ da palavra. Isto gera conseqüências para a justiça, pois os que podem melhor argumentar podem manipular as pessoas de acordo com seus interesses.

Como proposta de uso deste material, indico a possibilidade de divisão da turma para promover discussões acerca do problema apresentado no texto, estimulando e orientando os alunos para uma boa argumentação. Isto poderia ser feito orientando os alunos a apresentarem argumentos a favor ou contra Sócrates ou Trasímaco a partir do texto.

Ainda como proposta de uso, segue um questionário que possibilite avaliar a apreensão do tema abordado no texto.

Questionário:

1. Por que, para Sócrates, é importante definir o Ser da Justiça de forma que esta possa ser universalizada? Apresente argumentos contra ou a favor da posição de Sócrates.

2. Reconstrua os argumentos de Trasímaco. Em seguida, apresente argumentos contra ou a favor da posição de Trasímaco.

3. Qual a relevância da cultura na educação dos indivíduos? Em outras palavras, até que ponto a cultura influencia em nossos atos e noções acerca do que devemos ou não fazer?

domingo, 30 de outubro de 2011

Internet e Democracia: Indivíduo, Tecnologia e Poder



Artigo produzido no primeiro semestre de atividades de 2011, que trata de questões como realidade, subjetividade, construção de inteligência coletiva, democracia e exercício da cidadania, à luz do filósofo francês Pierre Lévy, subjugadas à nova realidade que se constrói/estabelece através dos avanços tecnológicos de informação e comunicação. Segue o resumo e link para download do artigo.



Resumo 

As novas tecnologias da informação, em especial a internet, trazem consigo uma questão inerente ao poder e a constituição do indivíduo enquanto ser: em que nível o homem é atingido pela inteligência coletiva e até que ponto esta interferência lhe permite a atuação, enquanto cidadão, em uma esfera de participação democrática? O presente artigo visa tratar do tema tanto em um âmbito de relação entre o cidadão e o governo, quanto entre o homem e o poder, supostamente descentralizado, defendido por Pierre Lévy.  



Clique aqui para fazer o download do artigo completo em PDF.

Relatório do “Café Filosófico”



O evento intitulado “Café Filosófico” consistiu em trabalho conjunto dos bolsistas do PIBID – Filosofia da UFRRJ que acompanharam as atividades do CIEP Antelo Romar, em Seropédica, durante o primeiro semestre de 2011, tendo ainda a colaboração da professora e supervisora responsável Rosimar. A culminância do “Café Filosófico” foi no dia 22/06/2011, tendo seu início às 08h45min, sendo seu tema principal o “Amor” e suas implicações.


Proposto pela professora e supervisora Rosimar, o tema “Amor” se fez pertinente dadas as vivências cotidianas dos alunos, que, através das relações pessoais, da música, e demais mídias, o “Amor” e suas nuances podem ser ditas de diversas formas. Neste caso, como é um tema presente no dia a dia dos alunos, nós junto a professora Rosimar, entendemos que propor uma discussão acerca do “Amor”, estimulando a participação dos alunos, seria de grande importância A abertura do evento contou com a apresentação do coordenador Pedro Hussak, que foi responsável por apresentar os objetivos gerais do PIBID, para em seguida ouvirmos um parecer da diretora do CIEP, para que começassem as apresentações.

A primeira bolsista a se apresentar foi Paula Bruce, cabendo-lhe expor a tradição mítica na Antiguidade e de como esta era relacionada com o amor, a paixão e os desejos a partir do deus Eros.

(apresentação musical de aluna do CIEP)

Em seguida o bolsista Davi expos a corrente filosófica dos estóicos e como os desejos eram tratados no estoicismo.

(apresentação teatral dos alunos tratando das paixões cotidianas)

Após a apresentação dos alunos, foi a vez do bolsista Vinícius apresentar o seu tema, que fora intitulado “Amor tirânico”. Para tanto, Vinícius fez uma apresentação geral situando o tema. Primeiramente foi apresentado quem fora Platão, para em seguida explicar em que contexto é tratado o amor na sua obra “O Banquete”. Devidamente introduzidos no assunto, foram abordados temas como ciúme, sentimento de possa em relação a um par, em contraponto com um amor em vista de um bem supremo, caracterizado como amor divino, bem como é tratado na Antiguidade.

(coro musical dos alunos; peça ensaiada pelos alunos: “Os 3 nomes do amor: Eros, Filia e Ágape”. Com a colaboração de Guido)

*********************************Intervalo*************************************

Retornando do intervalo, foi a vez dos bolsistas Mario Fellipe e Thiago Barros tratarem de outro tipo de amor, um amor racionalizado. Pensando nas mediações que podem ter as relações amorosas, foi abordado por estes o “Amor racional”, pensando nas medidas de manutenção deste sentimento como um cálculo racional. Propondo uma discussão do tema, trouxeram a idéia de harmonia entre dois indivíduos como um amor romantizado, contraponto com a tese de que romantismo é um sentimento particular exageradamente
idealizado.

(apresentação musical dos alunos)

O evento ainda contou com a participação do Prof. Dr. Admar Costa, da UFRRJ, a convite dos bolsistas. O professor apresentou o amor como surgiu na Antiguidade, com ênfase na questão pública, uma vez que todos estão inseridos num mesmo espaço, formando necessariamente uma rede de relações. Dito isto, foram apresentadas três maneiras de influenciar as relações: pela força do mais forte (violência); pela mediação das relações através do amor (relação familiar; amigos; amado e amante); e pelo convencimento/persuasão.

Em Platão, Eros é pensado, sobretudo, na relação amante e amado, estando relacionado com nossos desejos. Somos determinados por aquilo que desejamos, e desejos remetem a falta de algo. É bem lembrada a importância que Platão deu a cultura e em como esta direciona o desejo. Sendo assim, o objetivo de Platão é: que busquemos o conhecimento de nós mesmos para saber os objetos de desejo e suas motivações. Para tanto, caberia a educação filosófica para se educar os desejos, contribuindo para um conhecimento de si que
nos faça saber o que desejar, ou melhor, o que deve ser mais desejável.

Desta forma, Eros nos é apresentado como um problema filosófico, mas sem excluir as outras relações de amor, mas tiramos da apresentação o grande objetivo do filósofo grego: devemos desejar o que realmente se necessita.

Por último, mas não menos importante, foi lembrado pela bolsista Patrícia Boeira, que o amor é tratado também em outras formas literárias, como a poesia, e apresentou o tema “Amor e poesia” a partir da poetisa grega Safo de Lesbos. Sua apresentação trouxe o contexto histórico da poetisa e ainda contou com a leitura da poesia de Safo “A uma mulher amada”.

(apresentação musical; leitura por uma aluna de texto próprio sobre amizade)

Finalizando o dia de apresentações, a professora Rosimar fez considerações finais e os agradecimentos, que nós, os bolsistas, reiteramos. Agradecimentos: coordenadores Pedro e Nelma, ao professor Admar e a CAPES.




Envio: Patrícia Boeira de Souza, texto: Renato Braga Campello, bolsistas do PIBID - Filosofia da UFRRJ.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011



As revoluções industriais conduziram às revoluções científicas e tecnológicas que consequentemente levaram ao processo de desenvolvimento e transformação dos meios de comunicação para congelantemente da sociedade. Esses processos tecnológicos modificaram nosso modo de percepção do mundo devido a sua dinamicidade, expressividade, cooperativismo e resultaram em intensas mudanças culturais, que estabelecemos de cibercultura.

A Cibercultura deriva da cultura de mídias, que evidencia o consumo individual, com novos produtos personalizados e implica na aplicação no cotidiano das novas tecnologias digitais da comunicação, em dispositivos como o caixa eletrônico dos bancos, o telefone celular, computadores. Este conceito é definido por Lemos¹ como “associação da cultura contemporânea às tecnologias digitais, aliando a técnica à vida social, isto é, é a forma simbiótica entre a sociedade, a cultura e novas tecnologias”. Percebemos pelas definições que ela tem como essencial a comunicação em rede, isto é, trocas de informações e conhecimentos para todos nas mais diversas áreas, inclusive na arte, que é designada de ciberarte.
Essa união entre cibercultura e arte é muito bem explicada por Maurício Liesen:
“A ciberarte é, pois, uma arte da comunicação, um evento dialógico que acontece apenas com a participação do espectador (...). O espectador perde sua passividade. Nesse momento, o autor cede espaço a vários co-autores que desencadeiam outras possibilidades de direções durante a experiência. E todas essas informações podem ser manipuladas ou acessadas, existindo potencialmente em um mundo virtual. Ela uma arte que humaniza as tecnologias e nos convida a fazer parte de sua própria criação.”

A citação nos atenta que a ciberarte nos possibilita o imaginário da Cibercultura, pois as inovações tecnológicas trouxeram uma nova maneira dos artistas desenvolverem suas habilidades estéticas e técnicas, que resultou na dissolução das concepções tradicionais da arte, já que podem mudar sua arte com mais facilidade pelas funções existentes (copiar, colar, etc.), ou seja, tem o poder de criação (potencializar a estética), emissão, transformação da informação e uma maneira de trocarem experiências com outros artistas ou mesmo pessoas comuns. Nesse contexto, segundo Rozane Suzart Gesteira², “as manifestações artísticas também se direcionam para uma nova concepção estética, formal, ideológica e prática”.
Alguns autores como Gilberto Prado acreditam que “a criação em rede é um lugar de experimentação, um espaço de intenções, parte sensível de um novo dispositivo tanto na sua elaboração e na sua realização como na sua percepção pelo outro”. Pièrre Levy entende “a arte está na confluência das três grandes correntes de virtualização e de hominização que são as linguagens, as técnicas e as éticas. Para Dyens “é uma arte na quais verdades, realidades e sensibilidades se desvelam, mas sempre diferentes, sempre discretas, e principalmente, sempre latentes”. Nessas frases citadas vemos que todos os autores acreditam que a ligação entre arte e cibercultura se coloca de diferente caráter ao fazer e sentir a arte, além disso, se orientam para o coletivo, pois o artista não é mais o único autor de sua obra, visto que depois de colocado na rede é uma mutualidade entre o autor e quem se intera. Como observa Levy “quanto ao novo universal, realiza-se na dinâmica de interconexão da hipermídia online (...) Em suma, a universalidade vem do fato de que  banhamos todos no mesmo rio de informação (...)”
Hoje temos um grande aparato de ciberarte como os vídeos-arte, a tecno-body-art, o multimídia, a robótica e esculturas, a arte halográfica e informática, a realidade virtual, a dança, o teatro e a música tecno-eletrônica. Esses exemplos mostram que as ciberartes manifestam o mundo em forma de cópia, pois não precisamos, por exemplo, ter que irmos ao museu para que possamos ver alguma obra de arte.
Como vimos essa reciprocidade entre arte e cibercultura tem como características a interação (autores/expectadores), fragmentação, rapidez de alterar as informações, a figura imaginária, que são requisitos os necessários que os artistas inovem suas estéticas e permutem experiências com mais facilidade, por isso podemos atentar que a ciberarte está inclinada a progredir muito, já que além desses requisitos as Terminamos com a frase de Liesen: “A ciberarte, pois, constitui-se como um elemento-chave para a compreensão da sociedade no inicio do século XXI, situada na pré-história da vida digital. É uma arte que humaniza as tecnologias e nos convida a fazer parte de sua própria criação”. Ou seja, a arte nas suas expressões consegue manifestar as novas tecnologias e suas influências no meio cultural e social.
___________________
¹ANDRÉ L.M. Lemos é doutor em sociologia pela Sorbonne, professor e pesquisador do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação (FACOM), UFBA/CNPq.
²ROZANE Suzart Gesteira é mestre em Educação.
tecnologias estão avançando cada dia mais.


Referências Bibliográficas

BEZERRA, Jorge. Cibercultura e arte “in vitro”. 2007.
GESTEIRA, Rozane. A arte da Cibercultura mediando os processos educativos no ensino Fundamental. 2008.
LEMOS, André. A arte eletrônica e cibercultura. 2007.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo. Editora 34, 1999.
LIESEN, Maurício. Navegando na ciberarte: notas sobre arte e imaginário na contemporaneidade. In: CAOS – Revista eletrônica de ciências sociais. Número 8 – Março de 2005. p. 71-94.

Camila Pereira, graduanda do curso de Filosofia na UFRRJ, bolsista do PIBID.



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