segunda-feira, 12 de setembro de 2011



As revoluções industriais conduziram às revoluções científicas e tecnológicas que consequentemente levaram ao processo de desenvolvimento e transformação dos meios de comunicação para congelantemente da sociedade. Esses processos tecnológicos modificaram nosso modo de percepção do mundo devido a sua dinamicidade, expressividade, cooperativismo e resultaram em intensas mudanças culturais, que estabelecemos de cibercultura.

A Cibercultura deriva da cultura de mídias, que evidencia o consumo individual, com novos produtos personalizados e implica na aplicação no cotidiano das novas tecnologias digitais da comunicação, em dispositivos como o caixa eletrônico dos bancos, o telefone celular, computadores. Este conceito é definido por Lemos¹ como “associação da cultura contemporânea às tecnologias digitais, aliando a técnica à vida social, isto é, é a forma simbiótica entre a sociedade, a cultura e novas tecnologias”. Percebemos pelas definições que ela tem como essencial a comunicação em rede, isto é, trocas de informações e conhecimentos para todos nas mais diversas áreas, inclusive na arte, que é designada de ciberarte.
Essa união entre cibercultura e arte é muito bem explicada por Maurício Liesen:
“A ciberarte é, pois, uma arte da comunicação, um evento dialógico que acontece apenas com a participação do espectador (...). O espectador perde sua passividade. Nesse momento, o autor cede espaço a vários co-autores que desencadeiam outras possibilidades de direções durante a experiência. E todas essas informações podem ser manipuladas ou acessadas, existindo potencialmente em um mundo virtual. Ela uma arte que humaniza as tecnologias e nos convida a fazer parte de sua própria criação.”

A citação nos atenta que a ciberarte nos possibilita o imaginário da Cibercultura, pois as inovações tecnológicas trouxeram uma nova maneira dos artistas desenvolverem suas habilidades estéticas e técnicas, que resultou na dissolução das concepções tradicionais da arte, já que podem mudar sua arte com mais facilidade pelas funções existentes (copiar, colar, etc.), ou seja, tem o poder de criação (potencializar a estética), emissão, transformação da informação e uma maneira de trocarem experiências com outros artistas ou mesmo pessoas comuns. Nesse contexto, segundo Rozane Suzart Gesteira², “as manifestações artísticas também se direcionam para uma nova concepção estética, formal, ideológica e prática”.
Alguns autores como Gilberto Prado acreditam que “a criação em rede é um lugar de experimentação, um espaço de intenções, parte sensível de um novo dispositivo tanto na sua elaboração e na sua realização como na sua percepção pelo outro”. Pièrre Levy entende “a arte está na confluência das três grandes correntes de virtualização e de hominização que são as linguagens, as técnicas e as éticas. Para Dyens “é uma arte na quais verdades, realidades e sensibilidades se desvelam, mas sempre diferentes, sempre discretas, e principalmente, sempre latentes”. Nessas frases citadas vemos que todos os autores acreditam que a ligação entre arte e cibercultura se coloca de diferente caráter ao fazer e sentir a arte, além disso, se orientam para o coletivo, pois o artista não é mais o único autor de sua obra, visto que depois de colocado na rede é uma mutualidade entre o autor e quem se intera. Como observa Levy “quanto ao novo universal, realiza-se na dinâmica de interconexão da hipermídia online (...) Em suma, a universalidade vem do fato de que  banhamos todos no mesmo rio de informação (...)”
Hoje temos um grande aparato de ciberarte como os vídeos-arte, a tecno-body-art, o multimídia, a robótica e esculturas, a arte halográfica e informática, a realidade virtual, a dança, o teatro e a música tecno-eletrônica. Esses exemplos mostram que as ciberartes manifestam o mundo em forma de cópia, pois não precisamos, por exemplo, ter que irmos ao museu para que possamos ver alguma obra de arte.
Como vimos essa reciprocidade entre arte e cibercultura tem como características a interação (autores/expectadores), fragmentação, rapidez de alterar as informações, a figura imaginária, que são requisitos os necessários que os artistas inovem suas estéticas e permutem experiências com mais facilidade, por isso podemos atentar que a ciberarte está inclinada a progredir muito, já que além desses requisitos as Terminamos com a frase de Liesen: “A ciberarte, pois, constitui-se como um elemento-chave para a compreensão da sociedade no inicio do século XXI, situada na pré-história da vida digital. É uma arte que humaniza as tecnologias e nos convida a fazer parte de sua própria criação”. Ou seja, a arte nas suas expressões consegue manifestar as novas tecnologias e suas influências no meio cultural e social.
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¹ANDRÉ L.M. Lemos é doutor em sociologia pela Sorbonne, professor e pesquisador do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação (FACOM), UFBA/CNPq.
²ROZANE Suzart Gesteira é mestre em Educação.
tecnologias estão avançando cada dia mais.


Referências Bibliográficas

BEZERRA, Jorge. Cibercultura e arte “in vitro”. 2007.
GESTEIRA, Rozane. A arte da Cibercultura mediando os processos educativos no ensino Fundamental. 2008.
LEMOS, André. A arte eletrônica e cibercultura. 2007.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo. Editora 34, 1999.
LIESEN, Maurício. Navegando na ciberarte: notas sobre arte e imaginário na contemporaneidade. In: CAOS – Revista eletrônica de ciências sociais. Número 8 – Março de 2005. p. 71-94.

Camila Pereira, graduanda do curso de Filosofia na UFRRJ, bolsista do PIBID.



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