terça-feira, 10 de abril de 2012

A Questão da Justiça no Livro I da República de Platão

Proposta de material didático:

PIBID de Filosofia - UFRRJ – Eixo Política

Bolsista: Renato Braga Campello

Este texto foi desenvolvido com a finalidade de ilustrar, ainda que sem minúcia, a principal questão presente no livro I da República de Platão: a questão da Justiça e suas conseqüências para Pólis. Assim, o presente texto deve servir como instrumento de trabalho para o PIBID de Filosofia da UFRRJ voltado para o eixo de estudos em Política.

A Questão da Justiça no Livro I da República de Platão

O Livro I da República gira em torno da seguinte questão: “O que é a justiça?”. Para responder a esta pergunta, os interlocutores de Platão, em sua maioria, recorrem aos ensinamentos dos poetas, que se referem à prática de justiça, à aparência de justiça e a aplicam aos seus comportamentos na sociedade, o que preocupa Platão. Pois este defende que devemos nos basear no Ser da Justiça, buscando uma definição que possa ser partilhada por todos os homens.

Todos os argumentos platônicos tinham como interesse o convívio na Pólis, defendendo a ideia de que a Justiça deva ser o princípio das relações políticas dos indivíduos, tratando a mesma como um bem coletivo, e não individual.

No diálogo estabelecido por Sócrates e Trasímaco, percebemos a reflexão sobre o conceito de Justiça. Platão usa seus artifícios dialéticos através da refutação de Sócrates frente aos argumentos dos outros interlocutores, derrubando suas convicções até provar que se tratam de opiniões individuais, sendo meras aparências e não possuem universalidade, muitas vezes usando seu método filosófico caracterizado pela substantivação.

Frente a estes métodos usados por Sócrates nos diálogos estabelecidos entre ele e os demais interlocutores, Trasímaco revolta-se, intervindo na conversa de maneira áspera, pois não admite que Sócrates limite-se em indagar os demais e considera teimosia a maneira que Sócrates refuta as respostas dadas a ele, exigindo que se expresse com clareza e precisão, e defina ele mesmo o que é a Justiça.

Porém, mesmo que insistisse para que Sócrates desse a sua resposta, Trasímaco deixava transparecer seu desejo de se distinguir dos demais, julgando ter uma resposta melhor que as outras. Logo, o próprio Trasímaco se propõe a definir a Justiça, esperando ser aplaudido por Sócrates, afirmando que a justiça é o interesse do mais forte, usando o governo, pois este é considerado o setor mais forte em cada cidade, afirmando que estes fazem as leis para seu próprio benefício, como vemos a baixo:

E cada governo faz as leis para seu próprio proveito: a democracia, leis democráticas; a tirania, leis tirânicas; e as outras a mesma coisa; estabelecidas estas leis, declaram justo, para os governados, o seu próprio interesse, e castiga quem os transgride como violador da lei, culpando-o de injustiça” (338a - e).

Assim, Trasímaco afirma ser justo o que é vantajoso para o governo constituído em cada cidade, e sendo ele, o governo, mais forte em cada cidade, estabelece-se como justo o interesse do mais forte, segundo sua conveniência. Porém, refuta-o Sócrates:

“Uma vez que tu e eu concordamos em que a justiça é algo de conveniente, e que tu acrescentas a esta definição que essa conveniência é a do mais forte, e eu ignoro se é assim, temos de examinar a questão” (339a – e).

Como podemos perceber invés de Sócrates aceitar, ou mesmo abandonar de uma vez o argumento de Trasímaco, ele propõe uma melhor análise das palavras de seu interlocutor até que as contrapõe. E assim o diálogo é marcado pela humildade de Sócrates que, com a persuasão da palavra, refuta Trasímaco, que com sua posição hostil, procurava impor suas opiniões.

Bibliografia:

PLATÃO, A República. 2ª edição. São Paulo: Martin Claret, 2000.

Notas de esclarecimento:

*O uso dos diálogos na obras de Platão tem a função de resgatar as discussões que eram criadas nas praças, casas e demais lugares da cidade. Os embates criados pelos gregos através dos diálogos eram prezados tanto por Sócrates quanto para Platão, pois através destes diálogos acreditava-se que se alcançaria um conhecimento comum que pudesse ser partilhado por todos.

** “Só sei que nada sei”. Sócrates propõe com essa frase não trazer o conhecimento e nem mesmo criá-lo. Mas sim encontrar caminhos no que já existe, esclarecendo problemas e trazendo outros, para assim chegar a um denominador comum.

***Sofística: Na medida em que se dão conta da ‘mágica’ do discurso, cria-se uma especialização dessa arte dando maior capacidade de persuasão aos que possuem o ‘dom’ da palavra. Isto gera conseqüências para a justiça, pois os que podem melhor argumentar podem manipular as pessoas de acordo com seus interesses.

Como proposta de uso deste material, indico a possibilidade de divisão da turma para promover discussões acerca do problema apresentado no texto, estimulando e orientando os alunos para uma boa argumentação. Isto poderia ser feito orientando os alunos a apresentarem argumentos a favor ou contra Sócrates ou Trasímaco a partir do texto.

Ainda como proposta de uso, segue um questionário que possibilite avaliar a apreensão do tema abordado no texto.

Questionário:

1. Por que, para Sócrates, é importante definir o Ser da Justiça de forma que esta possa ser universalizada? Apresente argumentos contra ou a favor da posição de Sócrates.

2. Reconstrua os argumentos de Trasímaco. Em seguida, apresente argumentos contra ou a favor da posição de Trasímaco.

3. Qual a relevância da cultura na educação dos indivíduos? Em outras palavras, até que ponto a cultura influencia em nossos atos e noções acerca do que devemos ou não fazer?

domingo, 30 de outubro de 2011

Internet e Democracia: Indivíduo, Tecnologia e Poder



Artigo produzido no primeiro semestre de atividades de 2011, que trata de questões como realidade, subjetividade, construção de inteligência coletiva, democracia e exercício da cidadania, à luz do filósofo francês Pierre Lévy, subjugadas à nova realidade que se constrói/estabelece através dos avanços tecnológicos de informação e comunicação. Segue o resumo e link para download do artigo.



Resumo 

As novas tecnologias da informação, em especial a internet, trazem consigo uma questão inerente ao poder e a constituição do indivíduo enquanto ser: em que nível o homem é atingido pela inteligência coletiva e até que ponto esta interferência lhe permite a atuação, enquanto cidadão, em uma esfera de participação democrática? O presente artigo visa tratar do tema tanto em um âmbito de relação entre o cidadão e o governo, quanto entre o homem e o poder, supostamente descentralizado, defendido por Pierre Lévy.  



Clique aqui para fazer o download do artigo completo em PDF.

Relatório do “Café Filosófico”



O evento intitulado “Café Filosófico” consistiu em trabalho conjunto dos bolsistas do PIBID – Filosofia da UFRRJ que acompanharam as atividades do CIEP Antelo Romar, em Seropédica, durante o primeiro semestre de 2011, tendo ainda a colaboração da professora e supervisora responsável Rosimar. A culminância do “Café Filosófico” foi no dia 22/06/2011, tendo seu início às 08h45min, sendo seu tema principal o “Amor” e suas implicações.


Proposto pela professora e supervisora Rosimar, o tema “Amor” se fez pertinente dadas as vivências cotidianas dos alunos, que, através das relações pessoais, da música, e demais mídias, o “Amor” e suas nuances podem ser ditas de diversas formas. Neste caso, como é um tema presente no dia a dia dos alunos, nós junto a professora Rosimar, entendemos que propor uma discussão acerca do “Amor”, estimulando a participação dos alunos, seria de grande importância A abertura do evento contou com a apresentação do coordenador Pedro Hussak, que foi responsável por apresentar os objetivos gerais do PIBID, para em seguida ouvirmos um parecer da diretora do CIEP, para que começassem as apresentações.

A primeira bolsista a se apresentar foi Paula Bruce, cabendo-lhe expor a tradição mítica na Antiguidade e de como esta era relacionada com o amor, a paixão e os desejos a partir do deus Eros.

(apresentação musical de aluna do CIEP)

Em seguida o bolsista Davi expos a corrente filosófica dos estóicos e como os desejos eram tratados no estoicismo.

(apresentação teatral dos alunos tratando das paixões cotidianas)

Após a apresentação dos alunos, foi a vez do bolsista Vinícius apresentar o seu tema, que fora intitulado “Amor tirânico”. Para tanto, Vinícius fez uma apresentação geral situando o tema. Primeiramente foi apresentado quem fora Platão, para em seguida explicar em que contexto é tratado o amor na sua obra “O Banquete”. Devidamente introduzidos no assunto, foram abordados temas como ciúme, sentimento de possa em relação a um par, em contraponto com um amor em vista de um bem supremo, caracterizado como amor divino, bem como é tratado na Antiguidade.

(coro musical dos alunos; peça ensaiada pelos alunos: “Os 3 nomes do amor: Eros, Filia e Ágape”. Com a colaboração de Guido)

*********************************Intervalo*************************************

Retornando do intervalo, foi a vez dos bolsistas Mario Fellipe e Thiago Barros tratarem de outro tipo de amor, um amor racionalizado. Pensando nas mediações que podem ter as relações amorosas, foi abordado por estes o “Amor racional”, pensando nas medidas de manutenção deste sentimento como um cálculo racional. Propondo uma discussão do tema, trouxeram a idéia de harmonia entre dois indivíduos como um amor romantizado, contraponto com a tese de que romantismo é um sentimento particular exageradamente
idealizado.

(apresentação musical dos alunos)

O evento ainda contou com a participação do Prof. Dr. Admar Costa, da UFRRJ, a convite dos bolsistas. O professor apresentou o amor como surgiu na Antiguidade, com ênfase na questão pública, uma vez que todos estão inseridos num mesmo espaço, formando necessariamente uma rede de relações. Dito isto, foram apresentadas três maneiras de influenciar as relações: pela força do mais forte (violência); pela mediação das relações através do amor (relação familiar; amigos; amado e amante); e pelo convencimento/persuasão.

Em Platão, Eros é pensado, sobretudo, na relação amante e amado, estando relacionado com nossos desejos. Somos determinados por aquilo que desejamos, e desejos remetem a falta de algo. É bem lembrada a importância que Platão deu a cultura e em como esta direciona o desejo. Sendo assim, o objetivo de Platão é: que busquemos o conhecimento de nós mesmos para saber os objetos de desejo e suas motivações. Para tanto, caberia a educação filosófica para se educar os desejos, contribuindo para um conhecimento de si que
nos faça saber o que desejar, ou melhor, o que deve ser mais desejável.

Desta forma, Eros nos é apresentado como um problema filosófico, mas sem excluir as outras relações de amor, mas tiramos da apresentação o grande objetivo do filósofo grego: devemos desejar o que realmente se necessita.

Por último, mas não menos importante, foi lembrado pela bolsista Patrícia Boeira, que o amor é tratado também em outras formas literárias, como a poesia, e apresentou o tema “Amor e poesia” a partir da poetisa grega Safo de Lesbos. Sua apresentação trouxe o contexto histórico da poetisa e ainda contou com a leitura da poesia de Safo “A uma mulher amada”.

(apresentação musical; leitura por uma aluna de texto próprio sobre amizade)

Finalizando o dia de apresentações, a professora Rosimar fez considerações finais e os agradecimentos, que nós, os bolsistas, reiteramos. Agradecimentos: coordenadores Pedro e Nelma, ao professor Admar e a CAPES.




Envio: Patrícia Boeira de Souza, texto: Renato Braga Campello, bolsistas do PIBID - Filosofia da UFRRJ.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011



As revoluções industriais conduziram às revoluções científicas e tecnológicas que consequentemente levaram ao processo de desenvolvimento e transformação dos meios de comunicação para congelantemente da sociedade. Esses processos tecnológicos modificaram nosso modo de percepção do mundo devido a sua dinamicidade, expressividade, cooperativismo e resultaram em intensas mudanças culturais, que estabelecemos de cibercultura.

A Cibercultura deriva da cultura de mídias, que evidencia o consumo individual, com novos produtos personalizados e implica na aplicação no cotidiano das novas tecnologias digitais da comunicação, em dispositivos como o caixa eletrônico dos bancos, o telefone celular, computadores. Este conceito é definido por Lemos¹ como “associação da cultura contemporânea às tecnologias digitais, aliando a técnica à vida social, isto é, é a forma simbiótica entre a sociedade, a cultura e novas tecnologias”. Percebemos pelas definições que ela tem como essencial a comunicação em rede, isto é, trocas de informações e conhecimentos para todos nas mais diversas áreas, inclusive na arte, que é designada de ciberarte.
Essa união entre cibercultura e arte é muito bem explicada por Maurício Liesen:
“A ciberarte é, pois, uma arte da comunicação, um evento dialógico que acontece apenas com a participação do espectador (...). O espectador perde sua passividade. Nesse momento, o autor cede espaço a vários co-autores que desencadeiam outras possibilidades de direções durante a experiência. E todas essas informações podem ser manipuladas ou acessadas, existindo potencialmente em um mundo virtual. Ela uma arte que humaniza as tecnologias e nos convida a fazer parte de sua própria criação.”

A citação nos atenta que a ciberarte nos possibilita o imaginário da Cibercultura, pois as inovações tecnológicas trouxeram uma nova maneira dos artistas desenvolverem suas habilidades estéticas e técnicas, que resultou na dissolução das concepções tradicionais da arte, já que podem mudar sua arte com mais facilidade pelas funções existentes (copiar, colar, etc.), ou seja, tem o poder de criação (potencializar a estética), emissão, transformação da informação e uma maneira de trocarem experiências com outros artistas ou mesmo pessoas comuns. Nesse contexto, segundo Rozane Suzart Gesteira², “as manifestações artísticas também se direcionam para uma nova concepção estética, formal, ideológica e prática”.
Alguns autores como Gilberto Prado acreditam que “a criação em rede é um lugar de experimentação, um espaço de intenções, parte sensível de um novo dispositivo tanto na sua elaboração e na sua realização como na sua percepção pelo outro”. Pièrre Levy entende “a arte está na confluência das três grandes correntes de virtualização e de hominização que são as linguagens, as técnicas e as éticas. Para Dyens “é uma arte na quais verdades, realidades e sensibilidades se desvelam, mas sempre diferentes, sempre discretas, e principalmente, sempre latentes”. Nessas frases citadas vemos que todos os autores acreditam que a ligação entre arte e cibercultura se coloca de diferente caráter ao fazer e sentir a arte, além disso, se orientam para o coletivo, pois o artista não é mais o único autor de sua obra, visto que depois de colocado na rede é uma mutualidade entre o autor e quem se intera. Como observa Levy “quanto ao novo universal, realiza-se na dinâmica de interconexão da hipermídia online (...) Em suma, a universalidade vem do fato de que  banhamos todos no mesmo rio de informação (...)”
Hoje temos um grande aparato de ciberarte como os vídeos-arte, a tecno-body-art, o multimídia, a robótica e esculturas, a arte halográfica e informática, a realidade virtual, a dança, o teatro e a música tecno-eletrônica. Esses exemplos mostram que as ciberartes manifestam o mundo em forma de cópia, pois não precisamos, por exemplo, ter que irmos ao museu para que possamos ver alguma obra de arte.
Como vimos essa reciprocidade entre arte e cibercultura tem como características a interação (autores/expectadores), fragmentação, rapidez de alterar as informações, a figura imaginária, que são requisitos os necessários que os artistas inovem suas estéticas e permutem experiências com mais facilidade, por isso podemos atentar que a ciberarte está inclinada a progredir muito, já que além desses requisitos as Terminamos com a frase de Liesen: “A ciberarte, pois, constitui-se como um elemento-chave para a compreensão da sociedade no inicio do século XXI, situada na pré-história da vida digital. É uma arte que humaniza as tecnologias e nos convida a fazer parte de sua própria criação”. Ou seja, a arte nas suas expressões consegue manifestar as novas tecnologias e suas influências no meio cultural e social.
___________________
¹ANDRÉ L.M. Lemos é doutor em sociologia pela Sorbonne, professor e pesquisador do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da Faculdade de Comunicação (FACOM), UFBA/CNPq.
²ROZANE Suzart Gesteira é mestre em Educação.
tecnologias estão avançando cada dia mais.


Referências Bibliográficas

BEZERRA, Jorge. Cibercultura e arte “in vitro”. 2007.
GESTEIRA, Rozane. A arte da Cibercultura mediando os processos educativos no ensino Fundamental. 2008.
LEMOS, André. A arte eletrônica e cibercultura. 2007.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo. Editora 34, 1999.
LIESEN, Maurício. Navegando na ciberarte: notas sobre arte e imaginário na contemporaneidade. In: CAOS – Revista eletrônica de ciências sociais. Número 8 – Março de 2005. p. 71-94.

Camila Pereira, graduanda do curso de Filosofia na UFRRJ, bolsista do PIBID.



quinta-feira, 5 de maio de 2011

Escolha do livro didático (PNLD 2012)

Considerações acerca da escolha do livro didático (PNLD 2012)


O Plano nacional do livro didático nos fornece pela primeira vez (PNLD 2012) o guia para filosofia. O grupo de bolsistas – na qual faço parte - que está atuando no colégio CTUR recebeu o encargo de auxiliar a coordenadora do PIBID-Filosofia no colégio, prof. Adriana, na escolha do livro. Além disso, foi sugerido que fizéssemos resenhas dos livros a serem avaliados. Mas antes de qualquer coisa é preciso que sejam feitas algumas considerações.
Precisamos abandonar alguns preconceitos acerca do ensino de filosofia. Pois qualquer livro didático a ser escolhido deve evitá-los.
[1] Devemos deixar de lado a ideia de que a filosofia é abstrata e difícil, e por isso é mais viável que, no ensino médio, sejam feitas discussões genéricas sobre seus temas. Ora, essa visão subestima os alunos, e deixa de fora um conteúdo que eles não podem deixar de ter conhecimento. Eu, como aluno de filosofia, talvez jamais faça uso do que aprendi sobre biologia na escola – o que acho difícil –, mas se essa matéria não me fosse oferecida estariam me privando de conhecer essa disciplina, de me profissionalizar nessa área e até mesmo gostar e ter o simples prazer de estudá-la.
[2] Outro ponto a ser criticado é de que a filosofia forma cidadãos. O papel de formar cidadãos deve ser atribuído a educação e não a filosofia. A filosofia tem antes o papel de estimulo a reflexão, e pelo menos em sala de aula, a base dessa reflexão deve ser as diversas visões de mundo dos principais autores. Discussões genéricas e referentes ao cotidiano são importantes, mas devem ficar em segundo plano. Todas as disciplinas tem o papel de formar cidadãos, e portanto esse papel para filosofia é apenas parcial.
[3] Devemos abandonar o preconceito de que a filosofia não pode ser considerada um conhecimento especifico, e que qualquer discussão e pensamento já é filosófico. Bom, esse terceiro, acredito ser uma marca deixada pelo segundo, e pela baixa incidência de professores formados na disciplina lecionando. Como vinha dizendo, o principal conteúdo a ser aplicado são as ideias dos principais autores. É claro que é importante ter um propósito, mas é preciso tomar cuidado para que isso não descambe para algo puramente ideológico.
O PNLD 2012 toma como critério de base a história da filosofia, critério esse que distorce a proposta da disciplina, além de possuir um formato que não é viável para se trabalhar no ensino médio. Situar o aluno historicamente é importante, mas deve ficar em segundo plano. O que é importante, e mais viável, é que haja uma discussão dentro dos principais temas da filosofia, e que os alunos fiquem cientes das posições dos principais autores dentro desses temas. Livros de história da filosofia são mais interessantes como um adicional para pesquisas, e devem ficar na biblioteca.
Para tornar claro o perfil de material que acho mais interessante, e servir de critério para avaliação do livro, desenvolvi algumas questões:
  • O livro trata de forma simples e compreensível os temas filosóficos deixando clara a complexidade dos mesmos?
  • Expõe não só as ideias dos principais autores, mas também os motivos para que defendam tais ideias?
  • Expõe trechos das obras desses autores, fazendo os devidos esclarecimentos?
  • O livro consegue transmitir a importância da disciplina?
  • O vocabulário utilizado é acessível aos alunos?
  • O autor procura ser didático, mas sem subestimar os alunos?
  • O autor procura sempre que possível e viável trabalhar de forma argumentativa?

Essas questões são muito importantes para o que venho defendendo, mas também vale ressaltar, que o professor deve antes se questionar sobre a forma com que ele vai utilizar esse material. O perfil do livro também dependerá de como o professor faz uso dele, se o professor auxilia pouco ou muito nessa leitura, se as leituras são feitas em casa ou em sala de aula e etc. A escolha de um bom livro é muito importante para a valorização do ensino de filosofia.

OBS. Todas as questões aqui levantadas fazem parte de um ponto de vista particular, e portanto estão sujeitas a crítica.


(Postado por Erick Costa)

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Músicas

Iremos abordar músicas que tratam do tema política.

Música: Polícia
Artista: Titãs

“Dizem que ela existe para te ajudar, dizem que ela existe para proteger”.
Esse é apenas um dos versos da música que critica ferozmente a ação policial. Ao invés de ajudar e proteger, a corporação atua com repressão sobre a sociedade. A população reprimida fica dominada pelo medo e é isso que mantém as pessoas controladas e atadas. O medo da repressão faz com que os indivíduos continuem em inércia, auxiliando na manutenção do poder nas mãos da elite.


Música: Estado Violência
Artista: Titãs

A letra dessa canção revela a relação entre o sujeito e o Estado. Relata o sentimento de um indivíduo que acredita que o Estado é autoritário e violento. Além disso, este se mostra totalmente indiferente a sua vontade.


Música: Inútil
Artista: Ultraje a Rigor

Essa letra contém propositalmente erros de concordância, justamente para fortalecer o protesto do autor. Este afirma que “não sabemos escolher presidente” e não temos consciência sobre nossas ações. Também mostra que quando tentamos fazer algo relevante, esbarramos na dificuldade muitas vezes colocada pelo Estado: “a gente faz música e não consegue gravar, a gente escreve livro e não consegue publicar, a gente escreve peça e não consegue encenar ”.


Música: Até quando
Artista: Gabriel Pensador

Essa letra demonstra a nossa capacidade de continuarmos parados, mudos, diante dos problemas. Trata basicamente da alienação e repressão do Estado sobre o indivíduo. Reclamamos, esperando um milagre para nos tirar dessa situação: “não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta, levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve você pode e você deve, pode crer”. A única solução para acabar com isso é a população acordar e lutar pelos seus direitos.


Música: Até quando esperar
Artista: Plebe e Rude

Nessa música, que é um clássico dos anos 80, a banda explora um assunto bem recorrente quando tratamos das mazelas do país: a distribuição de renda. O objetivo seria nos alertar sobre o assunto. ”com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração”. E como nos outros casos, a letra também aborda o tema da submissão do sujeito pelo Estado e a falta de mobilização social: ”até quando esperar a plebe ajoelhar esperando a ajuda de Deus”.


(Postado por Camila Oliveira)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Assim Falava Zaratustra (HQ)


Quem conhece o trabalho de Alan Moore e David Lloyd (criadores da graphic novel "V For Vendetta") sabe que filosofia e histórias em quadrinhos podem ter uma boa relação. Por se tratar de uma ótima forma de atrair jovens leitores "Assim falava Zaratustra: dos céus aos quadrinhos" em HQ, um belo trabalho da ilustradora paulistana Thaís dos anjos, pode despertar a curiosidade sobre a obra original.

Segue abaixo um texto de Edson Aran (escritor, jornalista e cartunista) que ilustra, de acordo com suas perspectivas, maiores detalhes sobre a obra:








Nietzsche Por Thaís

Para fazer alguma coisa acontecer no Brasil, tem de ser pretencioso. Autores de quadrinhos, então, precisam de dose extra de pretensão. Aqui os quadrinhos ainda são vistos com descaso pela maior parte da intelectualidade. Bobagem, claro.

A literatura com imagens é um excelente instrumento para discutir idéias, como provam Alam Moore e Grant Morrison, para citar apenas dois dos maiores criadores da atualidade. Além disso, também podem servir como material didático e pesquisa.Não por acaso, Will Eisner, o criador do Spirit, dedicou a maior parte do seu tempo aos quadrinhos educacionais.

Com esta adaptação de "Assim falava Zaratustra", Thaís dos Anjos conseguiu as duas coisas: foi pretensiosa e, ao mesmo tempo, muito educativa. A pretensão já nasce do roteirista escolhido por ela, nada menos que o controverso filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), o niilista que combateu os "deuses escravos" e preconizou a aurora do super-homem (olha os quadrinhos ai de novo...). Os quarinhos da Thaís traduzem de maneira objetiva, prática, bela e didática o livro que é o pilar do pensamento de Nietzsche, "Assim falava Zaratustra". Uma empreitada difícil, já que a linguagem do filósofo flerta com a poesia e o simbolismo o tempo inteiro. Mas Thaís conseguiu. O pensamento nietzscheano vem completo e poético num álbum de estréia surpreendente. A moça vai longe, pode ter certeza disso.


A revista foi publicada pela Devir e está a venda na Livraria da Travessa, dentre outras.

(Postado por Miécimo Ribeiro)


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