sábado, 21 de dezembro de 2013

A ideia de Liberdade em Immanuel Kant

A  ideia de Liberdade em Immanuel Kant
Lisane Irala
Vida e Obra

 Immanuel Kant nasceu no dia 22 de abril de 1724 em uma pequena cidade da Alemanha chamada Konigsberg, era o quarto irmão de uma família de onze filhos, seu pai era um humilde artesão e sua mãe era conhecida como uma mulher profundamente religiosa. Teve uma vida metódica, dedicou-se exclusivamente às atividades intelectuais, não casou nem teve filhos e faleceu em 12 de fevereiro de 1804 sem nunca ter saído da cidade natal.
Começou sua carreira acadêmica ensinando ciências naturais, desenvolveu estudos sobre teologia, física, matemática, geografia, mas destacou-se nos estudos filosóficos. Para Kant filosofia é “a ciência da relação de todo o conhecimento e de todo uso da razão com o fim último da razão humana”[1]. Seu pensamento é norteado por quatro questões fundamentais: 1 – O que posso saber?   2- O que devo fazer? 3- O que posso esperar?    4- O que é o homem? Cada pergunta abrange um campo específico da filosofia kantiana, são eles, respectivamente: metafísico e epistemológico; ético; religioso; e a última questão diz respeito ao objeto da antropologia, ou seja, refere-se ao horizonte a partir de onde e em relação a qual tudo é pensado.
O filósofo alemão é considerado o último pensador do período moderno (Século XV – Século XVIII) e o maior representante do Iluminismo,[2]  destacou-se, sobretudo por ser um filósofo critico.   Suas principais obras foram: Crítica da razão pura (1781), Fundamentação da metafísica dos costumes (1785), Crítica da razão prática (1788) e Crítica do Juízo (1790).
Os trechos a seguir foram retirados do artigo Resposta à pergunta: Que é “Esclarecimento”? (Aufklärung) publicado em dezembro de 1783 na Revista Berlinische Monatsschrift.


[1] Em sua lógica (Jäsche) (Intr. Cap. III, Ak25).
[2]  Iluminismo -  
*

Texto:
“Pergunta à Resposta: O que é esclarecimento (Aufklärung)?”

Trecho1:

 “Esclarecimento [Aufklärung] é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento [Aufklärung].                      
            A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os libertou de uma direção estranha, continuem no entanto de bom grado menores durante toda a vida. São também as causas que explicam por que é tão fácil que os outros constituam em tutores deles. É tão cômodo ser menor. Se tenho um livro que faz as vezes de meu entendimento, um diretor espiritual que por mim tem consciência, um médico que por mim decide a respeito de minha dieta, ect., então não preciso esforçar-me eu mesmo. Não tenho necessidade de pensar, quando posso simplesmente pagar; outros se encarregarão em meu lugar dos negócios desagradáveis. A imensa maioria da humanidade considera a passagem à maioridade difícil e além do mais perigosa, porque aqueles tutores de bom grado tomaram a seu cargo a supervisão dela. Depois de terem primeiramente embrutecido seu gado doméstico e preservado cuidadosamente estas tranquilas criaturas a fim de não ousarem dar um passo fora do carrinho para aprender a andar, no qual as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça se tentarem andar sozinhas. Ora, este perigo na verdade não é tão grande, pois aprenderiam muito bem a andar finalmente, depois de algumas quedas. Bata um exemplo deste tipo para tornar tímido o indivíduo e atemorizá-lo em geral para não fazer outras tentativas no futuro”
           
Trecho 2:

            “Para este esclarecimento [Aufklärung], porém nada mais se exige senão LIBERDADE. E a mais inofensiva entre tudo aquilo que se possa chamar liberdade, a saber: a fazer um uso público de sua razão em todas as questões. Ouço, agora, porém, exclamar de todos os lados: não raciocineis! O oficial diz : não raciocineis, mas exercitai-vos! O financista exclama: não raciocinei, mas pagai! O sacerdote proclama: não raciones, mas crede! (Um único senhor no mundo diz: raciocinai, tanto quanto quiserdes, e sobre o que quiserdes, mas obedecei!) Eis aqui por toda parte a limitação da liberdade. Que limitação, porém, impede o esclarecimento [Aufklärung]? Qual não impede, e até mesmo favorece? Respondo: o uso público de sua razão deve ser sempre livre e só ele pode realizar o esclarecimento [Aufklärung] entre os homens uso.”

Comentário:

“Somos livres para fazermos nossas escolhas?”

            O filósofo alemão inicia o texto definindo dois termos: esclarecimento e menoridade.  - “Esclarecimento [Aufklärung] é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado”. - Mas afinal, o que podemos entender por Esclarecimento? O termo filosófico em alemão, Aufklärung, agrega diversas traduções, já foi definido por “iluminismo”, “ilustração”, “filosofia das luzes” e “liberdade”, mas nenhuma delas corresponde de maneira satisfatória, talvez a palavra “esclarecimento” seja a melhor definição, pois traduz o aspecto essencial do termo Aufklärung, que é um processo do uso da razão humana para sair da condição de menoridade. Mas afinal, o que podemos entender pelo que Kant chama de menoridade?  Estaria Kant fazendo referência à todas aquelas crianças e jovens menor de idade?  - “A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo.” – pelo o que podemos perceber o termo menoridade não está associado à idade cronológica do individuo, mas sim à ideia de menor, de ser incapaz, refere-se, portanto a submissão do pensamento, ou seja, a capacidade de sair da condição submissa e praticar o uso do seu entendimento a partir de si próprio sem depender que outro individuo direcione o seu pensamento.        
            A partir disso, nos deparamos com a seguinte questão: se para alcançarmos o esclarecimento precisamos sair dessa condição de menoridade, por que simplesmente não saímos e passamos a pensar por nós mesmo? De acordo com o texto nos somos culpados de estarmos nessa situação e não saímos dela por preguiça e covardia. E agora? Será que somos mesmos tão covardes e preguiçosos? E por medo e indisposição que abrimos mão da nossa liberdade? Segundo Kant, existe outra razão para a menoridade ser mantida, deve-se as ações dos tutores frente aqueles que não ousam saber – “Sapere aude”, pois a incapacidade provocada pela preguiça e covardia de pensar por conta própria, facilita o campo de ação dos tutores, de modo que eles facilmente assumem o controle e ditam-lhe as regras. Afinal, quem são os tutores? Por que eles existem? Precisamos deles?   
Immanuel Kant assume não ser fácil alcançar a maioridade, afinal, os indivíduos não estão acostumados a pensar sozinhos, mesmo ainda, em direção à emancipação, não estão habituados ao movimento livre, por isso não ousam aprender a andar, afinal sentem medo de tropeços e quedas, Kant não descarta a possibilidade de quedas, mas assegura que nos sentiríamos seguros e prontos para fazer uso do próprio entendimento. E afirma que o primeiro-passo para o esclarecimento é a liberdade, e desse modo, dificilmente o público não procure o caminho do conhecimento. O segundo-passo é o uso da razão, que é utilizado por aquele que goza de ilimitada liberdade, é capaz de fazer uso de sua própria razão, falar em seu nome, de maneira que a razão possa ser dirigida para um público amplo e assim realizar o esclarecimento entre os homens. Então, somos livres? Somos esclarecidos? Podemos dizer que o a liberdade e esclarecimento são possíveis?

Atividades

1-      Responda as questões abaixo:

a)      O que podemos entender por “menoridade”?
b)      O homem é ou não culpado por continuar na menoridade?
c)      É um dever sair da menoridade?
d)      É por preguiça e covardia que o homem continua na menoridade?

2-      Atividade em grupo

“Como me divirto?”
A atividade consiste em construir um quadro de programação para o fim de semana, a partir de recortes de jornais e argumentar o por quê das escolhas.

“Eu escolho como me divirto?”
Por que não escolher outros tipos de eventos? O que influência minha escolha? Quem são meus tutores?


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