terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Vivência na escola: reflexões acerca da educação e do ensino de filosofia




Desses seis meses, que trabalhamos no CIEP – Nelson Antelo Romar, surgiram uma série de questões referentes ao meio escolar. Entre reuniões, grupos de estudos e vivencia em sala de aula, distribuímos nosso tempo na escola. Com essa experiência pude perceber o quão raro é o aluno querealmente gosta de estudar. Notável é, em alguns alunos, a apatia, a falta de instrução, o desinteirice no que está para além de sua aprovação, e as vezes até mesmo pela própria aprovação. Existe o quadro, o giz, o professor, os alunos, a exposição da matéria, mas quase sempre parece faltar algo mais.
Existe um grande descrédito quanto a educação no meio cultural em que vivemos. É constantemente mencionada como ponte, mas dificilmente como caminho a ser trilhado. Estigmas esses, que dificilmente desapareceram. Sei que é difícil criar um ambiente que favoreça a atividade dos alunos. E desafio maior é fazer com que tomem gosto pelos estudos, visto que sempre tiveram pouca instrução e vivências que favorecessem isso. Por isso, nós, que iremos trabalhar com alunos nessa situação, temos um grande desafio pela frente.
Com sorte conseguiremos espelhar algo melhor para estes, que participaram de nossas vivências. E sugiro para essa tentativa algo um pouco difundido – só não sei se com as mesmas preensões – que é trabalhar segundo a realidade dos alunos. Entenda aqui por realidade, todas as vivências que participam de nossa constante formação. Trabalhar segundo a realidade do aluno é, portanto, trazer a tona o processo de formação em que ele se encontra – processo que o constitui, e que será refletido em suas atividades – e trabalhar encima disso. E isso demanda uma troca, um diálogo. Precisamos de alunos ativos, que se façam presentes. E o que vemos é justamente o oposto, muitas vezes são criados universos distintos no ambiente escolar, onde não há trocas relevantes de experiência.
Com isso, tarefa do professor é fazer com que essas diversas vivências e conteúdos se comuniquem, fazendo com que de si próprio, dos diversos perfis de alunos e do conteúdo a ser dado, aconteça uma relação tal, que desta surja um universo próprio. E quanto a dinâmica com o matéria, deverá não só trazer o conteúdo filosófico ao que está ao alcance do entendimento dos alunos – através de exemplos e de uma linguajem que se ajuste as suas vivências – mas também inverter o processo, fazendo com que os alunos pratiquem um exercício de compreensão dos textos filosóficos. A filosofia é uma disciplina delicada, o professor estará sempre entre uma forma vulgar e uma inviável de se trabalhar. Por isso a dinâmica é importante, é preciso saber as opiniões dos alunos, se eles entenderam, o que entenderam e trabalhar a matéria paralelamente a isso, deixando aos poucos o vulgo de lado, alcançando o que a filosofia tem de melhor a nos oferecer.
A filosofia é mais do que algo a ser aprendido. Ela nos fornece diversas visões de mundo, e com esses diversos pontos de vista, temos um leque de elementos para reforçar, contrastar, construir, e até mesmo, abandonar certos pontos de vista. A filosofia não é, e nem deixa de ser mais importante, por que seus conceitos não são suscetíveis a comprovação. Ela é importante justamente por essa dinâmica. E é isso que ela tem a nos oferecer, a tão mencionada visão crítica. Que pode ser um elemento chave na educação.


(Postado por Erick Costa)

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